domingo, 31 de janeiro de 2010

CUITELINHO

Oi!!!

Já chegamos ao último post de Janeiro!
Bom, já que um dos últimos posts aqui foi uma recordação do ano passado e já que no ano passado eu fiz vários posts mencionando fenômenos linguísticos usados popularmente e que a gente já viu que não são erros, vou fechar esse mês apresentando a vocês uma música folclórica brasileira que é cheeeeeeia de fenômenos linguísticos: Cuitelinho.
Bom, já sei que uma pergunta que muitos de vocês devem tá se fazendo é o que é ‘cuitelinho’, né?
É isso:

Cuitelinho é um sinônimo de colibri, beija-flor... Enfim, é essa avezinha pequenininha e bonitinha.
Sendo uma música folclórica, é claro que o autor dela é anônimo. Não se sabe quem inventou nem quando exatamente ela foi inventada. Ela veio do povo.
O 1º compositor que registrou essa música foi o Paulo Vanzolini. Mas ele mesmo deixou claro que não compôs a música; ele apenas ouviu o povo cantando isso e registrou o que ouviu.
Quanto à época e ao lugar em que essa música foi criada, é quase certo que foi depois da Guerra do Paraguai (1864-1870), pois a letra parece se referir a isso, e o lugar sem dúvida foi o Centro-Oeste Brasileiro, pois o próprio nome “cuitelinho” é mais usado no Mato Grosso do Sul (que na época era parte do Estado do Mato Grosso e que faz fronteira com o Paraguai) do que nas demais regiões do Brasil.
Bom, sendo uma música folclórica, é claro que ela apresenta variações na letra: pesquisando por aí, vocês vão encontrar pelo menos mais umas 4 ou 5 versões dela com algumas palavras diferentes da versão que eu tô botando aqui.
Mas, apesar de todas essas variações, Cuitelinho sempre é escrito usando fenômenos linguísticos presentes na fala popular brasileira.
E é por isso que eu tô apresentando essa música aqui: não só por ela ser um clássico musical do Folclore Brasileiro, mas também porque ela permite que a gente reveja fenômenos linguísticos que a gente viu ao longo de 2009.
Lá vai a letra:

Cheguei na bêra do porto
Onde as onda se espaia
As garça dá meia vorta
Senta na bêra da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia. Ai! Ai!
Quando eu vim de minha terra
Despedi da parentaia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes bataia! Ai! Ai!
A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
E os óio se enche d’água
Que até a vista se atrapaia! Ai! Ai!

E pra quem quiser acompanhar a melodia, dê uma clicada aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=zCXfX6_oWJ0

Agora, vamos ver os fenômenos que eu disse com os links pros respectivos posts onde a gente falou sobre eles:

Na palavra “bêra”, a gente pode observar a monotongação.

http://centrogb.blogspot.com/2009/06/monotongacao.html

Nas expressões “as onda se espaia”, “as garça dá meia vorta, senta”, “terras paraguaia”, “fortes bataia” e “os óio”, a gente pode observar a eliminação do plural redundante.

http://centrogb.blogspot.com/2009/05/eliminacao-do-plural-redundante.html

Na palavra “vorta”, a gente pode observar o rotacismo.

http://centrogb.blogspot.com/2009/02/rotacismo.html

E nas palavras “espaia”, “parentaia”, “bataia”, “na-vaia”, “faia”, “óio” e “atrapaia”, a gente pode observar a assimilação.

http://centrogb.blogspot.com/2009/11/assimilacao.html

These are the lyrics of the folkloric Brazilian song Cuitelinho.

Esa es la letra de la canción folclórica brasileña Cuitelinho.

Queste sono le parole della canzione folclorica brasiliana Cuitelinho.

2 comentários:

Gleici Pinheiro disse...

Obrigada!!!
essas informações me ajudaram muito.

Leo Carioca disse...

De nada!