domingo, 4 de outubro de 2009

DUAS REFLEXÕES PRO DIA DO CACHORRO

E hoje, 04 de Outubro, é o Dia do Cachorro.

Assim, eu queria aproveitar a oportunidade pra falar aqui sobre a irresponsabilidade que certas pessoas cometem ao comprar ou adotar um cachorro.
Infelizmente, parece que algumas pessoas pensam que o cachorro é um brinquedo, ou mesmo um enfeite, com o qual elas vão se divertir ou decorar a casa delas por um tempinho, até se cansarem dele.
Bom, é óbvio que tá longe disso: o cachorro é um ser vivo, com o qual você passa a ter obrigações a partir do momento em que você compra, ganha ou adota ele. E dá trabalho, causa eventuais problemas... Tudo isso você tem que levar em conta antes de adotar.
Sem falar que você também tem que levar em conta o tempo de vida do cachorro: você vai ter que manter as responsabilidades que eu mencionei acima pelo menos por uns 10 anos, enquanto o cachorro tiver vivo. E um dos problemas que a gente observa é exatamente esse, porque muita gente só se lembra que o cachorro vai durar esse tempo todo depois que já adquiriu o animal. E aí cometem um erro ainda maior: resolvem se desfazer do animal.
Eu vou deixar aqui um texto, de um autor anônimo, que corre pela Internet e que é uma crônica do despreparo que certas pessoas têm pra cuidar dos seus cachorros, desse erro pior ainda que cometem ao abandonar o cachorro e do que fatalmente acaba acontecendo com o cachorro, quando é abandonado:


DIÁRIO DE UM CÃO

1ª semana: Hoje completei uma semana de vida. Que alegria ter chegado a esse Mundo!

1 mês: Minha mamãe cuida muito bem de mim. Ela me lambe, me amamenta com leite quente e não me deixa passar frio! É uma mãe exemplar!

2 meses: Hoje me separaram de minha mamãe. Ela estava muito irrequieta e, com seu olhar, me disse adeus. Espero que a minha nova família humana cuide tão bem de mim quanto ela cuidou.

4 meses: Cresci rápido! Tudo me chama a atenção. Há várias crianças na casa e, pra mim, são como irmãozinhos. Somos muito brincalhões: eles me puxam o rabo e eu os mordo de brincadeira.

5 meses: Hoje me deram uma bronca. Minha dona se incomodou porque fiz xixi dentro de casa. Mas nunca haviam me ensinado onde deveria fazer xixi! Além disso, durmo no hall de entrada, que aliás, é muito frio! Não deu pra aguentar!

8 meses: Sou um cão feliz! Tenho o calor de um lar. Sinto-me tão seguro, tão protegido... Acho que a minha família humana me ama e me consente muitas coisas. O pátio é todinho pra mim e, às vezes, me excedo, cavando na terra como meus antepassados, os lobos, quando escondiam a comida. Nunca me educam. Então, deve ser correto tudo o que faço.

12 meses: Hoje completo 1 ano! Sou um cão adulto. Meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam. Que orgulho devem ter de mim! Só não entendo por quê às vezes ficam me olhando com cara de nojo!

13 meses: Hoje me acorrentaram e fico quase sem poder me movimentar até onde tem um raio de Sol ou quando quero alguma sombra. Dizem que vão me observar e que sou um ingrato. Não compreendo nada do que está acontecendo!

15 meses: Nossa! As coisas agora mudaram tanto! Moro na varanda! Sinto-me muito só... Minha família já não tem mais paciência com nada do que faço e nem as crianças brincam mais comigo! Às vezes esquecem que tenho fome e sede. Quando chove, não tenho teto que me abrigue e sinto muito frio!

16 meses: Hoje me desceram da varanda. Eu estava certo de que minha família tinha me perdoado. Eu fiquei tão contente que pulava com gosto. Meu rabo parecia um ventilador. Além disso, resolveram me levar pra passear com eles! Nos direcionamos pra a rodovia e, de repente, pararam o automóvel. Abriram aporta e eu desci feliz, pensando que passaríamos nosso dia no campo. Até agora não compreendi por quê fecharam a porta do carro e se foram correndo! Eu lati pra dizer que esqueceram de mim... Corri atrás do carro com todas as minhas forças. Minha angústia crescia ao perceber que quase perdia o fôlego e eles não paravam... Haviam me esquecido!

17 meses: Procurei em vão achar o caminho de volta ao lar. Mas estou perdido! No meu caminho existem pessoas de bom coração que me olham com tristeza e me jogam umas comidas estranhas que eles chamam de sanduíches e balas... Isso tem um gosto horrível e me dá mal estar depois, mas eu como assim mesmo, pois estou passando muita fome! Eu agradeço a quem faz isso com o meu olhar, desde o fundo da minha alma. Eu gostaria que eles me adotassem: eu seria leal como ninguém! Mas somente dizem: “Pobre cãozinho! Deve ter se perdido!”. E vão embora depois disso.

18 meses: Um dia desses, passei perto de uma escola e vi muitas crianças e adolescentes como meus irmãozinhos! Me aproximei pra brincar com eles e um grupo deles, rindo, me jogou uma chuva de pedras, enquanto diziam: “Vamos ver quem tem melhor pontaria!”. Uma dessas pedras me feriu o olho direito e desde então, não enxergo com ele.

19 meses: Parece mentira. Quando estava mais bonito, tinham compaixão de mim. Mas agora que estou muito fraco, meu aspecto mudou e perdi o meu olho, as pessoas me mostram a vassoura quando pretendo apenas deitar na sombra.

20 meses: Quase não consigo mais me mover! Hoje, ao tentar atravessar a rua por onde passam os carros, um me pegou! Eu estava no lugar seguro que eles chamam de calçada, mas nunca esquecerei o olhar de satisfação do motorista, que até se vangloriou por me acertar! E antes tivesse me matado! Mas só me deslocou as cadeiras! A dor e terrível! Minhas patas traseiras não me obedecem e com dificuldade me arrastei até a grama, na beira do caminho. Faz dez dias que estou embaixo do Sol, da chuva, do frio e sem comer. Já não posso mais me mexer... A dor é insuportável! Me sinto muito mal... Fiquei num lugar úmido e parece que até o meu pelo está caindo... Algumas pessoas passam e nem me vêem; outras dizem: “Não chegue perto! Ele pode morder!”. Já estou quase inconsciente. Mas alguma força estranha me faz abrir os olhos... A doçura de sua voz me fez reagir: “Pobre cãozinho! Olha como te deixaram!”,dizia a velhinha que me recolheu... Algum tempo depois, abri os olhos e vi que, junto com ela, estava um senhor de avental branco. Começou a me tocar e disse: “Sinto muito, senhora! Mas esse cão já não tem remédio... É melhor que pare de sofrer”. A gentil dama, com as lágrimas rolando pelo rosto, concordou. Como pude, mexi o rabo e olhei pra ela, agradecendo-lhe que me ajudasse a descansar. Somente senti a picada da injeção e dormi pra sempre, enquanto pensava: por que tive que nascer se ninguém me quis?


Outro problema que acontece são as pessoas que ficam com o cachorro até a velhice, mas não têm paciência pra cuidar dele na velhice. E na velhice, infelizmente e inevitavelmente, ele vai dar um pouco mais de trabalho e não vai ser mais um amigo tão divertido quanto já foi: ele não vai ter mais a mesma saúde que tinha antes, não vai ter mais o mesmo fôlego pra brincar que tinha antes...
E pra esses casos, vou deixar aqui um poema, também de autor anônimo, pro pessoal refletir:


A VELHICE DE UM CÃO

Seu cachorrinho já lhe
terá proporcionado
muitas alegrias.
Cuide pra que ele
tenha um final
de vida feliz.
Sempre que for possível,
deixe ele
permanecer ao seu lado,
pois esse será,
realmente,
um dos poucos
prazeres que lhe restarão
na velhice.
A hora da grande despedida
está próxima...
E ele, por instinto,
sabe disso.
É natural que
deseje a companhia
daquele que aprendeu
a amar
e respeitar
durante a sua vida.
Não o abandone agora!
Ele já não será mais
aquele animal bonito
de antes.
Seu pelo começará a cair,
seu caminhar perderá
a elegância
e sua cabeça penderá
cansada sobre suas patas.
Muitas vezes somente o seu olhar
acompanhará os passos
do seu dono.
Lembre-se que,
dentro do peito,
ele ainda possui
aquele coração que vibrará
com o som da voz
de seu mestre!
E quando chegar ao fim,
não se envergonhe:
chore!
Você terá acabado de perder
o mais dedicado
dos amigos...
O cão.

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