quarta-feira, 27 de agosto de 2008

UMA VÍTIMA DA HOMOFOBIA DISFARÇADA DE LEI

Oi!!!

Hoje a gente vai dar uma olhada num militar e cantor brasileiro que nos últimos meses levantou a discussão sobre a homofobia no Exército do Brasil: o Laci Marinho de Araújo.

Ele nasceu em 1972.
O Laci fez o curso preparatório pra sargento na cidade de Três Corações, em Minas Gerais.
Ele sempre se relacionou com mulheres. Mas quando entrou pro Exército e passou a ter um contato mais direto só com homens, tomar banho junto com um monte de homens pelados e musculosos e tal, descobriu que também sentia atração sexual por eles (hoje ele se considera bissexual).
Concluindo o curso, o Laci se tornou conhecido como “Sargento De Araújo”.
Ele sempre apresentou um comportamento muito ansioso e inquieto.
Em Dezembro de 1995, no Batalhão da Guarda Presidencial, em Brasília, o Laci conheceu o também Sargento Fernando Alcântara de Figueiredo.
Eles logo se tornaram amigos e moraram no mesmo alojamento até 1997, quando se mudaram e foram morar juntos. E aí começaram uma relação a 2, que dura até hoje.


Até o final de 2005, o Laci foi o vocalista da banda Terceira Visão.
Como cantor, ele usava o nome artístico de Éron Anderson.
Ele conseguia levar ao mesmo tempo sem problemas as profissões de cantor e sargento, organizando horários diferentes pra elas sem dificuldades e sem nunca misturar uma coisa com a outra.
A maioria dos amigos do Laci não sabiam que ele era bi, apesar de saberem, é claro, que ele morava com o Fernando. E ele também não costumava conversar sobre sexo nem nada parecido com isso no quartel.
Por motivos de segurança, o Laci e o Fernando sempre diziam que eram só amigos. Mas em Junho de 2008, eles deram uma entrevista à revista Época falando abertamente sobre a relação deles.
Foi o 1º casal gay brasileiro em que os 2 eram militares na ativa a assumir uma relação amorosa em público.
A revista chegou a preparar uma capa em que os 2 apareciam se beijando. Mas acabou abrindo mão dela pra publicar outra em que eles apenas apareciam juntos. Tão aí as 2 capas:


De qualquer forma, 4 dias depois o Laci foi preso.
O motivo alegado pro encarceramento foi ele ter abandonado o serviço por mais de 8 dias, o que caracterizaria deserção. Mas ele justificou a ausência no trabalho por motivo de doença: ele tava fazendo um tratamento de saúde.
No dia 05, o Fernando foi ao Senado pra se informar sobre o andamento da situação. Mas foi barrado, sob a alegação de que usava uma roupa indevida pra entrar no Senado. Isso é meio impossível, já que ele vestia uma roupa emprestada pelo gabinete do próprio Senador Eduardo Suplicy. Então, o mais provável é que tenha sido barrado por ser gay.
Depois de conversar com o Eduardo Suplicy, o Fernando chegou à conclusão de que deveria deixar a carreira militar (aliás, ele também foi preso por 8 dias por ter se apresentado em entrevistas usando uma camisa do Exército Brasileiro). E ele saiu do Exército no final de Junho.
No dia 06 de Junho, o Laci foi transferido pra carceragem do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília.
A transferência dele foi muito indevida, já que, de acordo com o laudo do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, ele sofre de disfunção vertiginosa labirintal, esclerose múltipla, lesão na medula, depressão e psicose. Portanto, ele não teria condições psicológicas pra deixar o hospital.
Além disso, a manutenção da prisão do Laci pode ser considerada ilegal ou, no mínimo, indevida, já que ele tem estabilidade profissional, residência fixa e ficha limpa.
O Eduardo Suplicy solicitou à Juíza Zilah Maria Fadul Petersen que autorizasse uma visita do Fernando ao Laci. Ela autorizou que o Fernando visitasse o Laci todo dia por 1 hora.
O Laci chegou a alegar que foi preso porque denunciou um esquema de corrupção. Mas o mais provável é que tenha sido pelo fato de ser bissexual e não esconder isso.
Foi pedido um habeas corpus pra ele no dia 27 de Junho, mas foi negado. E no final de Julho foi pedido outro. Então, no dia 30 de Julho, depois de 56 dias de prisão, foi determinada a libertação dele pelo Supremo Tribunal Federal.
De qualquer forma, o Laci deve ser julgado e, se ficar eventualmente determinado que ele desertou, ele pode ser preso de novo.
Ele ainda faz parte do Exército, pois sair agora, eles acham, pode complicar mais ainda as coisas, botando mais lenha na fogueira sobre a história da deserção.
Mas, por orientação do advogado, o Laci não tá falando em público.
No dia 06 de Agosto, o Laci e o Fernando agradeceram publicamente aos senadores que apoiaram eles durante todo o conflito.
No dia 15, eles se encontraram com a Senadora Fátima Cleide, que é a relatora do projeto de lei que criminaliza a homofobia no Brasil.

Oggi parleremo un po’ di un sergente e cantante brasiliano che ci ha ricordado delle situazioni omofobiche nell’Exército do Brasil: Laci Marinho de Araújo.
Lui è nato nel 1972.
Laci è stato nel corso di sergenti della città di Três Corações, in Minas Gerais.
Lui ha sempre avuto relazioni con donne. Ma quando è arrivato nell’esercito ed ha cominciato ad avere più contatto soltanto con uomini (facendo la doccia con loro, per esempio), ha scoperto che era bisessuale.
Quando ha finito il corso, Laci è diventato conosciuto come “Sargento De Araújo”.
Lui è sempre stato molto inquieto.
Nel Dicembre del 1995, nel Batalhão da Guarda Presidencial, a Brasília, Laci ha conosciuto il Sergente Fernando Alcântara de Figueiredo.
Loro sono diventati grandi amici e sono rimasti nello stesso dormitorio fino al 1997, quando sono andati a vivere insieme. Ed allora, hanno cominciato la loro relazione, che c’è fino adesso.
Fino al 2005, Laci anche cantava nel gruppo Terceira Visão.
Come cantante, lui era conosciuto come Éron Anderson.
Lui aveva le 2 carriera allo stesso tempo senza problemi.

Most of Laci’s friends didn’t know he was bisexual. But of course they knew he lived with Fernando at the same home. And he never used to talk about sex or similar topics when he was doing his military service.
Anyway, to protect themselves, Laci and Fernando used to say they were only friends. But last June they gave an interview to
Época magazine talking about their relationship.
So, they were the 1st Brazilian gay couple of working military men to say in public they were LGBT.
The magazine made a cover to publish where they could be seen kissing each other. But it gave up and published another one where they can be seen just touching each other. You guys can see both above.
Anyway, Laci was arrested after the interview.
Officially, his imprisonment was based on a 8-day-period when he was out of his military service: it would make him a deserter. But actually he was out because he needed a sick leave.
On August 5th, Fernando went to the Senate to know what was happening. But he was forbidden to go in because (they said) he wasn’t wearing the appropriate clothes to enter the Senate. But it was impossible, because it was the progressist Senator Eduardo Suplicy who indicated him those clothes. So, it’s basically clear Fernando was forbidden to enter the Senate because he was gay.
Anyway, Fernando talked to Eduardo Suplicy and, after that, decided to resign from the Army. And he did that in the end of June.
Laci would be arrested to the end of July.

Después de haber sido detenido en 4 de Junio por haber dicho en público que era bisexual, Laci fue transferido para el Batalhão de Polícia do Exército de Brasília.
Su transferencia fue muy indebida, porque el laudo del Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana decía que él tenía esclerosis múltiple, labirintitis avanzada, lesiones en la medula, depresión y psicosis. Así, no tenía condiciones psicológicas para dejar el hospital.
Y mantenerlo detenido era ilegal o, por lo menos, indebido, porque Laci tenía un trabajo fijo, una residencia fija y no tenía ningun delito en su pasado.
El Senador Eduardo Suplicy consiguió de la Jueza Zilah Maria Fadul Petersen que Fernando (el novio de Laci) pudiera visitarlo todos los días por 1 hora.
Laci dijo una vez que estaba detenido porque había hablado contra uno de sus superiores. Pero lo más posible es que fuera detenido porque, siendo un sargento, había dicho en público que era bisexual.
Fue solicitado (pero no conseguido), un habeas corpus para él en 27 de Junio. Y después de 1 més, fue solicitado otro. Así, él dejó la prisión en 30 de Julio, después de 56 días allá.
Ahora, Laci está esperando su proceso judicial.
El es todavía un miembro del Exército Brasileiro, porque, así lo piensan, dejar el ejército ahora lo hará visto como un desertor.
El abogado de Laci no quiere que él hable en público.
El 6 de Agosto, Laci y Fernando hicieron un agradecimiento en público a los senadores que los ayudaron durante toda esa situación.
El 15 de Agosto, ellos se fueron a ver la Senadora Fátima Cleide, una de las responsables por el proyecto de ley para hacer de la homofobía un delito en Brasil.


Até mais!

6 comentários:

Anônimo disse...

Pois sabe o que eu acho? Exército e homossexualidade são duas coisas que não combinam. É um ambiente super-homofóbico, desfavorável aos gays. Tudo bem, existem gays lá, assim como na PM e no Corpo de Bombeiros, mas a hipocrisia caminha junto e ninguém vai querer se assumir. Esses dois deveriam ter pensado e repensado antes de dar aquela entrevista para a Época, porque sabiam que iam se ferrar depois.
Aliás, como é que um cara com tantas doenças ainda conseguia ser sargento?

Salut.

Anônimo disse...

oi leoooooo

minino que caras cheios de coragem lutar contra uma instituição sem fim algum pq o exército Brasileiro nada mais é que uma figura decorativas cheia de ponta que só onera os cofres públicos e torço para que os rapazes fikem junto, leo vc acharia que as organizações "bobo" permitiriam que uma capa de sua revista de maior circulação fosse publicada com "dois iguais" termo esse definido por ela por pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. Com ertesza não né ? por isso que passo horas a fio sem sintonizar nas organizações "bobo" e se eu fosse vocês faria o mesmo !!!!!

bjos kinho

Anônimo disse...

OLA TEM COMO VOCE COLOCAR O LINK DO MEU BLOG NA SUA PAGINA ?

www.conteudog.blogspot.com

VOU COLOCAR O SEU NA MINHA

ABRAÇO

Thiago de Assumpção disse...

mais preconceito..
quando e que teremos gente de mente aberta...

Anônimo disse...

é incrível pensar como as instituições militares não só no brasil são homofóbicas, eles desconhecem a história, como o exército gay de tebas e o de esparta, que eram temidos pelos inimigos (isto daria um ótimo assunto para o blog).
isto também me trás outro assunto, a heterosexualização de figuras históricas homosexuais quando elas são consideradas do bem, e as vezes a homosexualização dos considerados do mal.
lembrei disto por causa do filme os 300 de esparta com o rodrigo santoro.
nele o exército do bem hétero de esparta se defende do rei do mal gay xerxes que queria invadir esparta.
ocorre que na realidade foi o contrário, o exército era gay e xerxes era hétero (isto também daria um ótimo assunto no blog).
aliás não entendo como não houve nenhum protesto em relação ao filme como houve com outros filmes que denigrem a imagem dos gays, este filme é tão lesivo quanto instinto assassino com a sharon stone, infelizmente todo mundo ficou babando pelo rodrigo santoro no filme

Leo Carioca disse...

Fantôme→ Como eu já disse uma vez a você, o Exército Brasileiro não precisa dos gays, mas nós também não precisamos dele.
Se eles nos rejeitam, merecem a nossa rejeição no mesmo peso e na mesma medida.
Mas a gente tem que levar em conta que eles se ferraram também porque foi o 1º casal gay de militares brasileiros e assumir em público. Isso nunca tinha acontecido aqui no Brasil, né?
Salut!

Kinho→ Também espero que eles fiquem juntos enquanto um fizer o outro feliz.
Quanto à capa da resvista, revistas em geral publicam imagens de mulheres se beijando, se acariciando, se comendo... Mas quando são homens a homofobia domina, né?
Preconceito puro!
Beijos!

Conteudog→ Tá bom.
Abraço!

Teago S. A.→ Ih, cara! Isso vai demoraaaaar...

Anônimo→ Tem razão! É um assunto interessante pra falar aqui!
Eu acho que o filme que você quis dizer foi ´Instinto Selvagem`, não é isso?
Bom, é até raro um filme de lésbicas mostrar a lésbica como vilã. O problema é sempre mais contra os gays (homens). Mas isso também existe, é claro.