Oi!!!
Hoje eu vou falar aqui sobre um assunto que tem desmerecido severamente a Psicologia: os psicólogos que se apresentam em programas femininos.
Eu me refiro àqueles programas que geralmente passam de tarde, na TV aberta, apresentando algum tipo de desentendimento familiar. O desenvolvimento desse tipo de programa geralmente é mais ou menos assim: a apresentadora do programa fala com uma das pessoas da família que tá se desentendendo com a outra, depois fala com a outra pessoa que também tá se desentendendo e geralmente no final do programa o dito psicólogo que dá “consulta” ali “analisa” a situação. Pelo menos, são essas as palavras que eles usam, né?
Mas vocês têm certeza de que aquilo é uma “consulta” e de que o que aqueles psicólogos fazem é “analisar” alguma coisa? Afinal, independente do tipo de desentendimento que tenha sido apresentado ali e independente de quem tenha feito o quê, o que esses psicólogos dizem nessas “consultas”?
Que faz parte da natureza da mulher fazer 10 mil coisas ao mesmo tempo e TODAS MUITO BEM (mas que homem sempre deixa a desejar, mesmo quando faz 1 coisa só), que conviver com homem é muito difícil, que homem SEMPRE tem que aturar mulher (por mais difícil que isso seja e mesmo que a mulher teja errada), que homem tem que aturar e entender todas as “crises emocionais” femininas (sem exceção), que homem não sabe lidar com mulher, que homem não sabe o que é melhor pra mulher (mas mulher sabe SEMPRE o que é melhor pra homem!), que a insensibilidade dos homens está arruinando a Humanidade (e por isso o Mundo seria perfeito se fosse mais “feminino”), que as mães estão sempre certas e nunca fazem nada por mal (no máximo, às vezes, elas cometem certos exageros por amor), que os filhos é que têm que entender as mães (mesmo quando eles têm mais razão do que elas), que as mães têm que ser sempre perdoadas (não importa que tipo de estrago elas tenham causado na vida dos filhos), que quando uma mulher age de uma forma mais racional e menos sentimental ela está violentando a feminilidade dela.
É tudo o que uma dona de casa que jogou a vida fora pra “cuidar” do marido e dos filhos quer ouvir, né? E não por acaso, 90% dos fãs desse tipo de programa são donas de casa que jogaram a vida fora pra “cuidar” dos maridos e dos filhos.
Eu escrevi “cuidar” entra aspas porque o que esse tipo de mulher faz na prática é ‘perseguir’ o marido e os filhos com base em exageros sentimentalóides, né? Mas, no entender dela, ela tá “cuidando da família dela”. E quer ser louvada por pensar e agir assim. E o discurso que esses psicólogos fazem é o próprio louvor que ela quer receber.
Portanto, só até aí, a gente já viu que o que tais psicólogos falam, muito antes de ser uma consulta, é uma simples babação de ovo de um determinado tipo de telespectador, que é o público alvo desse tipo de programa.
Agora, mesmo não levando isso em conta, vamos ver mais de perto como esses psicólogos se comportam...
Simplificando, o que eles dizem?
Que mesmo que a mulher sempre agrida o homem (verbalmente ou fisicamente) na convivência que ela tem com ele “não é desejável” que ele se afaste dela. Isso é a análise de um psicólogo sério?
Que qualquer ataque histérico que a mulher dê não pode ser visto pelo homem como futilidade nem como frescura e nem sequer como algo desagradável, mas sim como “crises emocionais da mulher”, que o homem não pode rejeitar, “porque mulher é assim”. Isso é a análise de um psicólogo sério?
Que qualquer homem tá muito despreparado pra conviver com o universo feminino só porque ele não entende TUDO o que a mulher pensa, TUDO o que a mulher sente, TUDO o que a mulher fala e TUDO o que a mulher faz. Então, ele “não sabe ser homem” por causa disso. Aí, diante disso, o psicólogo fica repetindo pro homem que tá lá no programa: “Seja homem!” “Seja homem!” “Seja homem!”. Isso é a análise de um psicólogo sério?
Se o homem não demonstra sensibilidade em relação à mulher, o psicólogo fala no mesmo instante:
“A gente vê logo de início que o fulano é um homem muito machista, né?”
Se o homem demonstra sensibilidade em relação à mulher, o psicólogo se limita a começar com aquilo:
“Seja homem! Seja homem! Seja homem!”
Isso é a análise de um psicólogo sério?
Quando é um casal hétero que tá sendo “analisado” e a mulher quer desistir do casamento, o psicólogo fala alguma coisa mais ou menos assim:
“A fulana já está estressada com essa situação. E quando a mulher diz ‘chega’, é chega mesmo!”
Quando é o homem que quer desistir do casamento, pelo mesmo motivo ou por um motivo até mais sério que seja, o psicólogo na mesma hora aponta o dedo pra ele e fala:
“Eu acho que você tem algum problema de convivência, hein!”
Isso é a análise de um psicólogo sério?
Quando uma mãe comete um erro brabo na vida do filho, que prejudicou ele seriamente mesmo e, por mais que tentem deturpar a história pra inocentar a mãe, não tem como negar que ela cometeu aquele erro, o psicólogo fala:
“Bom, é muito fácil culpar a mãe. O filho é que tem que entender a mãe e reconstruir a vida dele.”
Isso é a análise de um psicólogo sério?
E existe também sempre aquela tendência de afeminar o máximo possível tanto os homens quantos as mulheres que tão no programa, sempre dando a entender que a “forma feminina de se comportar” é sempre a que deve ser mais seguida e a “forma masculina de se comportar” deve ser sempre o mais abandonada possível.
Não é difícil ver esses psicólogos falando pros homens que tão presentes no programa:
“Eu conheço homens casados, com filhos, mas que aprenderam a ter aquele jeitinho feminino de se comportar... Aquela coisa que a mulher fala com o filho do tipo ‘Depois a gente fala com o seu pai’. Então, esses homens é que tã mandando bem”.
Ou falando pras mulheres que tão presentes no programa:
“Não é porque você faz, que você acontece, que você não pode ir pra cozinha preparar alguma coisa pro seu marido, levar café na cama pro seu marido...”
Isso é a análise de um psicólogo sério?
Hoje eu vou falar aqui sobre um assunto que tem desmerecido severamente a Psicologia: os psicólogos que se apresentam em programas femininos.
Eu me refiro àqueles programas que geralmente passam de tarde, na TV aberta, apresentando algum tipo de desentendimento familiar. O desenvolvimento desse tipo de programa geralmente é mais ou menos assim: a apresentadora do programa fala com uma das pessoas da família que tá se desentendendo com a outra, depois fala com a outra pessoa que também tá se desentendendo e geralmente no final do programa o dito psicólogo que dá “consulta” ali “analisa” a situação. Pelo menos, são essas as palavras que eles usam, né?
Mas vocês têm certeza de que aquilo é uma “consulta” e de que o que aqueles psicólogos fazem é “analisar” alguma coisa? Afinal, independente do tipo de desentendimento que tenha sido apresentado ali e independente de quem tenha feito o quê, o que esses psicólogos dizem nessas “consultas”?
Que faz parte da natureza da mulher fazer 10 mil coisas ao mesmo tempo e TODAS MUITO BEM (mas que homem sempre deixa a desejar, mesmo quando faz 1 coisa só), que conviver com homem é muito difícil, que homem SEMPRE tem que aturar mulher (por mais difícil que isso seja e mesmo que a mulher teja errada), que homem tem que aturar e entender todas as “crises emocionais” femininas (sem exceção), que homem não sabe lidar com mulher, que homem não sabe o que é melhor pra mulher (mas mulher sabe SEMPRE o que é melhor pra homem!), que a insensibilidade dos homens está arruinando a Humanidade (e por isso o Mundo seria perfeito se fosse mais “feminino”), que as mães estão sempre certas e nunca fazem nada por mal (no máximo, às vezes, elas cometem certos exageros por amor), que os filhos é que têm que entender as mães (mesmo quando eles têm mais razão do que elas), que as mães têm que ser sempre perdoadas (não importa que tipo de estrago elas tenham causado na vida dos filhos), que quando uma mulher age de uma forma mais racional e menos sentimental ela está violentando a feminilidade dela.
É tudo o que uma dona de casa que jogou a vida fora pra “cuidar” do marido e dos filhos quer ouvir, né? E não por acaso, 90% dos fãs desse tipo de programa são donas de casa que jogaram a vida fora pra “cuidar” dos maridos e dos filhos.
Eu escrevi “cuidar” entra aspas porque o que esse tipo de mulher faz na prática é ‘perseguir’ o marido e os filhos com base em exageros sentimentalóides, né? Mas, no entender dela, ela tá “cuidando da família dela”. E quer ser louvada por pensar e agir assim. E o discurso que esses psicólogos fazem é o próprio louvor que ela quer receber.
Portanto, só até aí, a gente já viu que o que tais psicólogos falam, muito antes de ser uma consulta, é uma simples babação de ovo de um determinado tipo de telespectador, que é o público alvo desse tipo de programa.
Agora, mesmo não levando isso em conta, vamos ver mais de perto como esses psicólogos se comportam...
Simplificando, o que eles dizem?
Que mesmo que a mulher sempre agrida o homem (verbalmente ou fisicamente) na convivência que ela tem com ele “não é desejável” que ele se afaste dela. Isso é a análise de um psicólogo sério?
Que qualquer ataque histérico que a mulher dê não pode ser visto pelo homem como futilidade nem como frescura e nem sequer como algo desagradável, mas sim como “crises emocionais da mulher”, que o homem não pode rejeitar, “porque mulher é assim”. Isso é a análise de um psicólogo sério?
Que qualquer homem tá muito despreparado pra conviver com o universo feminino só porque ele não entende TUDO o que a mulher pensa, TUDO o que a mulher sente, TUDO o que a mulher fala e TUDO o que a mulher faz. Então, ele “não sabe ser homem” por causa disso. Aí, diante disso, o psicólogo fica repetindo pro homem que tá lá no programa: “Seja homem!” “Seja homem!” “Seja homem!”. Isso é a análise de um psicólogo sério?
Se o homem não demonstra sensibilidade em relação à mulher, o psicólogo fala no mesmo instante:
“A gente vê logo de início que o fulano é um homem muito machista, né?”
Se o homem demonstra sensibilidade em relação à mulher, o psicólogo se limita a começar com aquilo:
“Seja homem! Seja homem! Seja homem!”
Isso é a análise de um psicólogo sério?
Quando é um casal hétero que tá sendo “analisado” e a mulher quer desistir do casamento, o psicólogo fala alguma coisa mais ou menos assim:
“A fulana já está estressada com essa situação. E quando a mulher diz ‘chega’, é chega mesmo!”
Quando é o homem que quer desistir do casamento, pelo mesmo motivo ou por um motivo até mais sério que seja, o psicólogo na mesma hora aponta o dedo pra ele e fala:
“Eu acho que você tem algum problema de convivência, hein!”
Isso é a análise de um psicólogo sério?
Quando uma mãe comete um erro brabo na vida do filho, que prejudicou ele seriamente mesmo e, por mais que tentem deturpar a história pra inocentar a mãe, não tem como negar que ela cometeu aquele erro, o psicólogo fala:
“Bom, é muito fácil culpar a mãe. O filho é que tem que entender a mãe e reconstruir a vida dele.”
Isso é a análise de um psicólogo sério?
E existe também sempre aquela tendência de afeminar o máximo possível tanto os homens quantos as mulheres que tão no programa, sempre dando a entender que a “forma feminina de se comportar” é sempre a que deve ser mais seguida e a “forma masculina de se comportar” deve ser sempre o mais abandonada possível.
Não é difícil ver esses psicólogos falando pros homens que tão presentes no programa:
“Eu conheço homens casados, com filhos, mas que aprenderam a ter aquele jeitinho feminino de se comportar... Aquela coisa que a mulher fala com o filho do tipo ‘Depois a gente fala com o seu pai’. Então, esses homens é que tã mandando bem”.
Ou falando pras mulheres que tão presentes no programa:
“Não é porque você faz, que você acontece, que você não pode ir pra cozinha preparar alguma coisa pro seu marido, levar café na cama pro seu marido...”
Isso é a análise de um psicólogo sério?
Bom, agora, me dirigindo aos psicólogos sérios, vocês não acham que o fato de vocês serem representados na TV aberta por esse tipo de profissional tá acabando com a imagem de vocês? Acho que vocês tão perdendo cada vez mais credibilidade graças a certas pessoas que aparecem em público sacudindo um diplominha de Psicologia e, graças a isso, achando que podem fazer esse tipo de análise psicológica, se é que isso é uma análise psicológica.É quase a mesma coisa que aqueles psicólogos evangélicos que fazem uma pregação evangélica conservadora e chamam isso de “análise psicológica”.
Vocês, profissionais sérios da Psicologia, deviam se organizar mais pra punir essas criaturas que falam aberrações mega-hiper-ultra-tendenciosas em público e chamam isso de “análise psicológica”!
Be careful about the psychologists who “work” at talk shows which have housewives as their target audience!
¡Ten cuidado con los psicólogos que “trabajan” en los talk shows que tienen las amas de casa como su público-meta!
Sta attento agli psicologhi che “lavorano” ai talk show che hanno le casalinghe come il suo target di comunicazione!
Fica aí algo pra refletir.
Até mais!

8 comentários:
shuashuashuashuashuashua
pior que é essa merda mesmo!
casos de família!shuashuashua
Pois é.
Vc descreveu aí exatamente o que acontece no programa Casos de Família. Mas tem outros programas femininos mais baixo nível ainda!
Esta certissimo, então aproveita e compra meu livro, assim vc verá que meto o pau nas mulheres e pouco nos homens hehehe talvez isso alivie um pouco ahahaha (brincadeirinha)
Gostei do texto do seu perfil, então ja aviso que vou copiar e colar no meu orkut, nao é demais???
Beijos da Pueblo
esqueci de deixar meu email rs
adriana34_ssp@hotmail.com
Adriana Pueblo
Escritora ou pelo menos tentando ser e ex psicologa pois me cansei dos atos falhos!
Já vi nesse programa esse tipo de situação que você descreveu. Mas agora até que ficou um pouco menos assim. Com a chegada da Cristina Rocha, a intenção foi mais de criar um programa de barraco, tipo Ratinho, às vezes passando também por alguns programas especiais de curiosidades em geral, como ela fez uma vez com os ex-bbbs esquecidos.
Era mais assim do jeito que você disse na época da Regina Volpato. Ainda que ela comandasse o programa com mais educação do que a Cristina, ela mesma falava que a idéia era mostrar a visão feminina dos casos apresentados.
Portanto, acho que, na época da Regina, o que os psicólogos Anahy d'Amico e Ildo Rosa falavam era uma visão estereotipada do papel feminino na família, ao mesmo tempo em que procuravam mostrar só a visão que a mulher tinha dos problemas. Como eu disse, a própria Regina assumia abertamente que era isso que o programa pretendia mostrar.
Mas é claro que isso não é uma análise psicológica nem tem como ser. Mesmo um psicólogo sério nunca vai conseguir analisar a fundo uma pessoa da qual ele nem conhece o histórico e que só deu meia dúzia de informações sobre um assunto específico da vida dela num programa de televisão.
E mais uma coisa: acho uma temeridade que qualquer psicoterapeuta chegue na televisão pra dar uma opinião sobre um caso se ele só tem uns 5 minutos pra falar. Pra explicar uma análise apropriada de qualquer assunto, ele precisa falar por cerca de 20 minutos, o que geralmente o tempo da televisão não permite.
Anônimo→ O programa pode ser o barraco mais pé sujo e mais baixo nível possível. Não é exatamente isso que eu tô questionando. Tô falando de programas de barraco que botam alguém que se diz psicólogo simplesmente pra deturpar a história apresentada pretendendo com isso justificar neuroses femininas pra ganhar pontos com a audiência.
Um programa que seja um galinheiro, mas que não tenha esse tipo de “psicólogo”, merece mais respeito do que um programa que tem.
Adriana Pueblo→ Tá bom.
Beijos também.
Anônimo→ Olha, a Regina Volpato tem um estilo mais ‘diplomático’ de se expressar, vamos chamar assim. Mas a visão dela de várias situações ali era beeeeem tendenciosa. Principalmente, como você disse, querendo dar uma visão sempre mais feminina da situação. Mas a intenção era, obviamente, atrair donas de casa pro programa. Pois ele vivia basicamente de ter as donas de casa como público alvo.
Concordo plenamente que os psicólogos que você mencionou tinham uma visão 100% estereotipada do comportamento não só da mulher mas do homem também na família.
E concordo mais ainda quando você diz que o que eles falavam NÃO ERA uma análise psicológica. De jeito nenhum!
Sobre a forma como você encerrou, isso eu faço questão de transcrever:
“...acho uma temeridade que qualquer psicoterapeuta chegue na televisão pra dar uma opinião sobre um caso se ele só tem uns 5 minutos pra falar. Pra explicar uma análise apropriada de qualquer assunto, ele precisa falar por cerca de 20 minutos, o que geralmente o tempo da televisão não permite.”
Assino embaixo!
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