segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

AFINAL, O QUE É VODU HAITIANO?

Bom, acredito que não seja novidade pra ninguém aqui a tragédia que aconteceu no Haiti no último dia 12 de Janeiro, quando um terremoto de 07 graus da Escala Richter destruiu várias regiões do país e matou mais de 200000 pessoas...
Até ali, o Haiti era uma país de pouca projeção pro resto de Mundo, ironicamente só passando a chamar mais atenção pela catástrofe que sofreu. E uma das coisas relacionadas ao Haiti que chamaram a atenção de muita gente do Brasil foi a questão de uma grande parte dos haitianos serem praticantes do Vodu.
Quando se fala a palavra “Vodu” (ou “Vudu”, como alguns chamam), a 1ª coisa que vem à mente da maioria das pessoas é alguém usando uma roupa estilo ‘curandeiro africano’ e enfiando alfinetes e agulhas num boneco, né?rs
Mas será que é mesmo isso?
Bom, com o post de hoje, vou tentar esclarecer aqui o que é o Vodu praticado no Haiti, apesar de que, mesmo me referindo ao Vodu que é praticado SÓ sob influências haitianas, ainda assim o assunto é meio complexo...
Talvez a 1ª coisa que se pense é que o Vodu Haitiano foi uma religião que os escravos africanos levaram pra lá, assim como os escravos que foram trazidos pro Brasil trouxeram com eles o Calundu, que se transformou no atual Candomblé.
Na verdade, apesar de ter acontecido lá uma situação parecida com o que aconteceu aqui, a coisa lá foi mais complexa do que aqui...
Africanos da atual República da Guiné foram levados pro Haiti como escravos e tiveram o Catolicismo Romano imposto a eles como religião. E lá eles encontraram os taínos, índios nativos da região, vivendo na mesma situação, devido à opressão dos colonizadores europeus.
Os africanos perceberam que os taínos, pra continuar adorando seus deuses, disfarçaram eles de santos católicos (a mesma coisa que os africanos trazidos pro Brasil fizeram com os orixás). E pensaram em fazer mais ou menos a mesma coisa pra manter os rituais religiosos deles.
Aparentemente, os africanos levados pro Haiti acreditavam num Deus Único. Mas, abaixo Dele, também ofereciam culto a uma multidão de espíritos. E pra manter o culto a esses espíritos, associaram cada um deles a um santo católico, o que acabou resultando na fixação de uma série de práticas católicas nos rituais deles.
Mas eles também adotaram uma série de práticas taínas nos rituais que começaram a praticar a partir dali. E isso foi criando vários grupos separados de Vodu: alguns com uma influência católica mais forte; outros com uma influência taína mais forte; outros tentando se manter mais fiéis aos ritos ancestrais africanos...
Até hoje, nos grupos voduístas mais católicos, uma das coisas que mais se vê nos rituais são imagens de santos católicos recebendo culto dos praticantes, que ao longo de cada ritual rezam várias vezes as orações do Pai Nosso e da Ave Maria.
Em alguns grupos voduístas mais africanizados, oferecem culto a uma entidade chamada Legba, que alguns teólogos supõem que é o deus Legba, adorado por tribos do Benin como deus protetor das construções (casas, templos...), representado em formato de pênis e associado ao Exu do Candomblé.

Seja o deus Legba ou seja apenas uma entidade com o mesmo nome, o Legba do Vodu é considerado um espírito, e não um deus.
Alguns grupos de Vodu tão divididos numa espécie de sistema de castas, parecido com o que existe na Índia, de acordo com os antepassados que eles acreditam que tiveram na África: grupos de descendentes de agricultores, grupos de descendentes de guerreiros, grupos de descendentes de sacerdotes... E cada grupo oferece culto aos espíritos desses antepassados.
Todos os grupos mantêm a crença no Deus Único, hoje chamado de Bondjê. Mas enquanto alguns grupos voduístas defendem a ferro e fogo que Bondjê é Javé, o mesmo Deus Único que os judaico-cristãos adoram, outros grupos voduístas defendem também a ferro e fogo que Bondjê não tem nada a ver com Javé.
De qualquer forma, os voduístas geralmente só se dirigem a Bondjê pra oferecer adoração a Ele. Mas pra interagir na vida cotidiana, eles se dirigem aos espíritos dos antepassados deles (e, no caso dos voduístas católicos, aos santos católicos). E geralmente chamam os antepassados mais antigos, que viveram na África, de “espíritos frios”, enquanto os espíritos dos antepassados mais recentes, que já nasceram no Haiti, são chamados de “espíritos quentes”.
Eles dizem que nenhum espírito é bom nem mau, mas que todos podem fazer tanto o bem quanto o mal aos vivos, dependendo da forma como forem tratados por eles.
Quando um praticante do Vodu morre, geralmente o corpo dele é enterrado no quintal da própria casa onde ele morava. E o espírito dele passa a ser cultuado pela família dele a partir daí.
Então, o ritual Vodu parece se centralizar basicamente nas honras prestadas aos espíritos dos antepassados.
É interessante observar algumas semelhanças aí com o Xintoísmo, religião japonesa que também tem por base louvar os espíritos dos antepassados mortos e que também tem uma entidade representada em formato de pênis: o deus Konseishin.


Na forma de tratar as outras pessoas, os dogmas voduístas parecem ser voltados pro sustento e proteção da comunidade (principalmente aos mais pobres), pra ideia de que o voduísta deve fazer favores a quem já fez favores a ele antes, pra reverência às pessoas mais velhas e pra ideia de que os rituais devem ser praticados sempre que possível em grupo (e só no mínimo indispensável das vezes pela pessoa sozinha).
Em relação ao corpo sacerdotal do Vodu, não existe um sacerdote supremo nem uma sacerdotisa suprema, com autoridade infalível nem inquestionável sobre todos os membros da religião. Cada grupo tem um houngan (sacerdote) ou uma mambo (sacerdotisa) que exerce autoridade só sobre aquele grupo específico.
Também não existe hierarquia de sexo nem de preferências sexuais no corpo sacerdotal: qualquer homem ou mulher que seja heterossexual, homossexual ou bissexual pode ser um sacerdote ou sacerdotisa do Vodu, sem que isso aumente nem diminua a autoridade nem os direitos e deveres sacerdotais dele.
Bom, como já vimos bem só até aqui, o Vodu tá dividido em vários e vários grupos diferentes, né? E apesar de ter alguns traços comuns entre todos os grupos, pode ser que você encontre por aí um grupo voduísta que só tenha 2 ou 3 das características que eu descrevi aqui e o resto seja todo diferente.
Em meados do século XX, muitos haitianos fugiram pros Estados Unidos, tentando escapar da ditadura no Haiti. E lá instalaram novos grupos de Vodu, que permanecem até hoje.
Em alguns grupos de Vodu da Louisiana, foram criados rituais em que feiticeiros voduístas espetam bonecos com agulhas ou mesmo dão facadas nesses bonecos (embora cada um pareça dar uma explicação diferente de por quê fazem isso). E embora essa prática não seja usada no Vodu Haitiano, imitações de bonecos desse tipo são feitas lá como suvenir, pra serem vendidas pra turistas. Mas aí não tem nenhum valor religioso. É só uma quinquilharia pra vender pros turistas mesmo.rsrs
Bom, antes de terminar, só vou repetir: tudo o que eu mencionei aqui foi sobre o Vodu HAITIANO. Mas é bom lembrar que escravos africanos também foram levados pra Cuba e pra República Dominicana, onde implantaram outros tipos de Vodu, com outras características.

Bueno, pienso yo que todos ya saben bien de lo que ocurrió en Haití el 12 de Enero, cuando un terremoto de magnitud 7,0 acabó con una gran parte del país y mató más de 200000 personas...
Hasta aquél momento, Haití era un país de que poco se hablaba en otras partes del Mundo. Pero eso cambió por cuenta de la tragedia que ocurrió allá. Y una de las cosas que más llamaron la atención de algunas personas fue el Vudú, una religión muy común allá.
Cuando uno habla la palabra “Vudú”, la primera cosa en que mucha gente piensa es en un hechicero africano enhebrando agujas en una muñeca, ¿verdad?
¿Pero es eso?
¡No! O por lo menos no es SIEMPRE eso. Y en este post aquí hablaré un poquito del Vudú de Haití para dar un poquito más de informaciones sobre esa religión y para dejar claro que sus dogmas no dicen solamente para enhebrar muñecas.
Cuando se habla en el Vudú de Haití, es cierto que muchos piensan que sea simplemente una religión llebada allá por los esclavos africanos, así como ocurrió con el Calundu, traído a Brasil por los esclavos y, actualmente, cambiado en el Candomblé.
En verdad, lo que ocurrió en Haití fue un poquito semejante a lo que ocurrió en Brasil, pero no fue propiamente lo mismo.
Los africanos de la actual República de Guinea fueron llebados allá como esclavos y obligados a cambiarse en católicos romanos. Y allá encontraron los taínos, nativos de aquella región, que también habían se cambiado, por obligación, en católicos.
A los africanos fue posible ver que los taínos, para continuar adorando sus dioses, los habían disfrazado de santos católicos (lo mismo que los esclavos traídos a Brasil hicieron con sus orixás). Y pensaron en hacer más o menos lo mismo para mantener sus rituales.
Según parece, los africanos llebados a Haití adoraban un Dios Único, arriba de una gran cantidad de espíritus de personas muertas. Y para mantener la adoración a tales espíritus, los asociaron a santos católicos, lo que acabó por dejar prácticas católicas en los rituales de Vudú.
Pero muchas prácticas taínas también se quedaron en los rituales de Vudú a contar de entonces. Y gracias a eso, fueron creados grupos diferentes de Vudú: algunos con inclinaciones más católicas, otros con inclinaciones más taínas, otros haciendo lo que pueden para mantener los rituales ancestrales africanos...


Ci sono diversi tipi di gruppi del Vudù...
Nei gruppi più cattolici, ci sono sempre le statue dei santi cattolici ed i vuduisti pregano il Padre Nostro e l’Ave Maria.
In alcuni gruppi più africani, si adora un’entità chiamata Papa Legba, che alcuni teologisti credono che sia il dio Legba, adorato nel Benin, caratterizzato come un pene (come si può vedere nella prima foto sopra) e associato al dio Eshu, del Candomblé.
Sia lui o no il dio Legba, non si vede il Legba del Vudù come un dio, ma come uno spirito.
Alcuni gruppi di Vudù sono un po’ simili alle caste dell’India, perché sono basate sugli ancestrali che quei gruppi credono che avevano nell’Africa: gruppi dei discendenti degli agricoltori, gruppi dei discendenti dei guerrieri, gruppi dei discendenti dei sacerdoti... Ed ogni gruppo adora gli spiriti dei suoi ancestrali.
I gruppi vuduisti tutti quanti adorano il Dio Unico del Vudù: Bondyè. Alcuni di questi gruppi gridano severamente che Bondyè è Geova, il Dio Unico degli ebraico-cristiani. Ma altri di questi gruppi gridano severamente che Bondyè non ha qualche relazione con Geova.
Comunque sia, i vuduisti generalmente soltanto adorano Bondyè, ma non Lo chiamano per risolvere i loro problemi di ogni giorno. In questo caso, chiamano gli spiriti. Questi possono essere gli “spiriti freddi” (quei che hanno vissuto nell’Africa) o gli “spiriti caldi” (quei che sono nato in Haiti).
Loro dicono che non ci sono spiriti buoni o spiriti cattivi, ma che gli spiriti tutti quanti possono essere buoni o cattivi. Questo dipende da quello che i vivi fanno a loro.
Quando un vuduista muore, quasi sempre il suo corpo è seppellito a casa sua, nel cortile. E da questo momento, la sua famiglia comincia a adorarlo.
Adorare gli spiriti degli ancestrali è il fondamento del Vudù.
È interessante ricordare che tutto questo è molto simile allo Scintoismo, la religione giapponese che, prima di tutto, adora gli spiriti degli ancestrali e che ha anche un’entità caratterizzata come un pene: il dio Konseishin (potete vederlo nella seconda foto sopra).


Haitian Voodoo dogmas about how to treat other people talk about supporting and protecting the community (especially the poor people of the community), doing favors to the people who have already done you favors before, honoring older people, and celebrating the rituals preferentially in group (you should not celebrate them alone).
About the Voodoo clergy, there is not a sovereign priest or a sovereign priestess with infallibility or with an unquestionable authority over the other members of the religion. Each Voodoo group has its own hougan (priest) or manbo (priestess). And he or she has authority only over the members of that specific group.
There isn’t either any kind of difference among the hougans and manbos about topics like gender or sexual orientation. Every heterosexual, homosexual, or bisexual man or woman may be a Voodoo priest or priestess. It doesn’t give him or her any kind of superiority or inferiority to the other priests and priestesses. And it doesn’t change his or her rights and obligations as a priest or priestess.
Well, as you guys can see, Voodoo has many and many different groups. There are some similarities among them. But perhaps one day you’ll find a Voodoo group which has very few characteristics like the ones which I mentioned here. And all the rest is different!
In the 60s, many people from Haiti went to the United States, trying to run away from the dictatorship in Haiti. And then they founded new Voodoo groups in the States.
In some Voodoo groups of Louisiana, the sorcerers thread needles, pins, and nails in dolls during their rituals. Or they even stab the dolls! But every Voodoo sorcerer gives a different explanation to what it is for. And in spite of such things aren’t done in the Haitian Voodoo, Haitians make souvenir dolls like those of Louisiana to sell them to tourists. But they don’t have any kind of religious value.
Before finishing the post, I have to remind you something: in this post I’m talking about the HAITIAN Voodoo. There are also different kinds of Voodoo in the Republican Republic and Cuba which have different dogmas and characteristics.


Até mais!

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