Oi!!!
Hoje a gente vai falar sobre 2 concordâncias da Língua Portuguesa que, muitas vezes, causam impasses, dúvidas e eventualmente até brigas entre os falantes da língua: a dupla PARA EU e PARA MIM.
A explicação pro uso dessas concordâncias é até bastante simples. Mas o problema é que, quando surge esse assunto, as pessoas usam explicações muito presas a uma forma unilateral de falar.
Na escola primária, por exemplo, o que é que geralmente se ensina? Lembram? Provavelmente o que a Tia Teteca explicou pra maioria de vocês foi alguma coisa mais ou menos assim:
“O pronome EU é usado pra conjugar verbos e o pronome MIM é usado nas situações em que não há um verbo sendo conjugado.”
Aí, provavelmente, ela botou 2 exemplos mais ou menos assim no quadro:
TRAGA UM COPO DE ÁGUA PARA EU BEBER.
TRAGA UM COPO DE ÁGUA PARA MIM.
Depois, ela explicou que, na 1ª frase, como tá sendo conjugado o verbo BEBER, “o certo” é usar o pronome EU. E na 2ª frase, como não tá sendo conjugado verbo nenhum, “o certo” é usar o pronome MIM.
Bom, essa explicação tá certa. Mas isso não é tudo: é só uma meia verdade. E aí é que tá o problema: quando as pessoas encontram uma concordância que não se enquadre milimetricamente nesse tipo de explicação, acusam essa outra concordância de tá errada!
Experimenta chegar em público e falar alguma coisa assim:
TRAGA UM COPO DE ÁGUA PRA MIM BEBER.
Você quer apostar quanto que alguém vai ‘corrigir’ você na mesma hora? A pessoa vai dizer que “o certo” é PRA EU BEBER, não é isso?
Bom, o PRA EU BEBER, como a gente viu na explicação da professora, realmente tá certo. Só que o PRA MIM BEBER também tá certo.
A questão aí é que existem 2 regras gramaticais diferentes e que se contradizem.
A 1ª regra já foi exposta na explicação da professora, determinando que pronomes retos têm a função básica de conjugar verbos. E como EU é um pronome reto e tem um verbo ali sendo conjugado (BEBER), o uso do EU é perfeitamente cabível.
A 2ª regra diz que, depois de preposições, deve se usar sempre pronomes oblíquos. MIM é um pronome oblíquo. E como a frase que a gente viu tem a preposição PARA, o uso do MIM é perfeitamente cabível. É simplesmente o uso de um pronome oblíquo depois de uma preposição, como manda a regra. Então, como é que isso pode tá errado?
Foi por isso que eu disse que a explicação da professora foi uma meia verdade: apesar de ter apresentado uma regra totalmente verdadeira, ela não apresentou a outra regra, que permite que a outra concordância também seja usada.
E o problema é que essa ideia equivocada acabou contaminando a maior parte dos falantes do Português considerados cultos (afinal, eles foram alfabetizados assim na escola primária), que passaram a propagar ela.
Tem até alguns que soltam aquela pérola:
“Hoje em dia as pessoas não sabem mais falar direito!”
Bom, em 1º lugar, falar PRA MIM antes de um verbo, como a gente já viu, não é não saber falar direito. Até porque tá seguindo uma regra gramatical bastante clara.
Em 2º lugar, não se trata de “hoje em dia”, pois falar PRA MIM antes de um verbo já tem registros escritos pelo menos desde os anos 70 do século XIX: você encontra livros escritos por volta de 1875 que já têm esse tipo de concordância.
Então, ficam 2 lições depois disso:
1ª Quando as pessoas vão afirmar qualquer coisa, principalmente em público, elas têm que tomar o cuidado de, antes de falar, se informar melhor sobre o que vão falar. De outro modo, inevitavelmente, vão falar alguma bobagem. E ainda por cima vão ter a afirmação delas desfeita na frente de todo mundo.
2ª Só porque uma coisa qualquer está certa, isso não quer dizer obrigatoriamente que a outra esteja errada. Muitas vezes existem 2 (ou mais) maneiras de fazer a mesma coisa de forma certa.
Essa última lição é uma verdadeira facada no estômago dos conservadores, né? Afinal, são sempre eles que querem impor uma forma única de entender as coisas, uma forma única de fazer as coisas, a ideia de que qualquer coisa SÓ tá certa se for feita daquela única forma específica... Não é isso?
Bom, fica aí algo pra vocês refletirem.
E agora, pra quem não fala Português, lá vão umas fotos bonitas:
Hoje a gente vai falar sobre 2 concordâncias da Língua Portuguesa que, muitas vezes, causam impasses, dúvidas e eventualmente até brigas entre os falantes da língua: a dupla PARA EU e PARA MIM.
A explicação pro uso dessas concordâncias é até bastante simples. Mas o problema é que, quando surge esse assunto, as pessoas usam explicações muito presas a uma forma unilateral de falar.
Na escola primária, por exemplo, o que é que geralmente se ensina? Lembram? Provavelmente o que a Tia Teteca explicou pra maioria de vocês foi alguma coisa mais ou menos assim:
“O pronome EU é usado pra conjugar verbos e o pronome MIM é usado nas situações em que não há um verbo sendo conjugado.”
Aí, provavelmente, ela botou 2 exemplos mais ou menos assim no quadro:
TRAGA UM COPO DE ÁGUA PARA EU BEBER.
TRAGA UM COPO DE ÁGUA PARA MIM.
Depois, ela explicou que, na 1ª frase, como tá sendo conjugado o verbo BEBER, “o certo” é usar o pronome EU. E na 2ª frase, como não tá sendo conjugado verbo nenhum, “o certo” é usar o pronome MIM.
Bom, essa explicação tá certa. Mas isso não é tudo: é só uma meia verdade. E aí é que tá o problema: quando as pessoas encontram uma concordância que não se enquadre milimetricamente nesse tipo de explicação, acusam essa outra concordância de tá errada!
Experimenta chegar em público e falar alguma coisa assim:
TRAGA UM COPO DE ÁGUA PRA MIM BEBER.
Você quer apostar quanto que alguém vai ‘corrigir’ você na mesma hora? A pessoa vai dizer que “o certo” é PRA EU BEBER, não é isso?
Bom, o PRA EU BEBER, como a gente viu na explicação da professora, realmente tá certo. Só que o PRA MIM BEBER também tá certo.
A questão aí é que existem 2 regras gramaticais diferentes e que se contradizem.
A 1ª regra já foi exposta na explicação da professora, determinando que pronomes retos têm a função básica de conjugar verbos. E como EU é um pronome reto e tem um verbo ali sendo conjugado (BEBER), o uso do EU é perfeitamente cabível.
A 2ª regra diz que, depois de preposições, deve se usar sempre pronomes oblíquos. MIM é um pronome oblíquo. E como a frase que a gente viu tem a preposição PARA, o uso do MIM é perfeitamente cabível. É simplesmente o uso de um pronome oblíquo depois de uma preposição, como manda a regra. Então, como é que isso pode tá errado?
Foi por isso que eu disse que a explicação da professora foi uma meia verdade: apesar de ter apresentado uma regra totalmente verdadeira, ela não apresentou a outra regra, que permite que a outra concordância também seja usada.
E o problema é que essa ideia equivocada acabou contaminando a maior parte dos falantes do Português considerados cultos (afinal, eles foram alfabetizados assim na escola primária), que passaram a propagar ela.
Tem até alguns que soltam aquela pérola:
“Hoje em dia as pessoas não sabem mais falar direito!”
Bom, em 1º lugar, falar PRA MIM antes de um verbo, como a gente já viu, não é não saber falar direito. Até porque tá seguindo uma regra gramatical bastante clara.
Em 2º lugar, não se trata de “hoje em dia”, pois falar PRA MIM antes de um verbo já tem registros escritos pelo menos desde os anos 70 do século XIX: você encontra livros escritos por volta de 1875 que já têm esse tipo de concordância.
Então, ficam 2 lições depois disso:
1ª Quando as pessoas vão afirmar qualquer coisa, principalmente em público, elas têm que tomar o cuidado de, antes de falar, se informar melhor sobre o que vão falar. De outro modo, inevitavelmente, vão falar alguma bobagem. E ainda por cima vão ter a afirmação delas desfeita na frente de todo mundo.
2ª Só porque uma coisa qualquer está certa, isso não quer dizer obrigatoriamente que a outra esteja errada. Muitas vezes existem 2 (ou mais) maneiras de fazer a mesma coisa de forma certa.
Essa última lição é uma verdadeira facada no estômago dos conservadores, né? Afinal, são sempre eles que querem impor uma forma única de entender as coisas, uma forma única de fazer as coisas, a ideia de que qualquer coisa SÓ tá certa se for feita daquela única forma específica... Não é isso?
Bom, fica aí algo pra vocês refletirem.
E agora, pra quem não fala Português, lá vão umas fotos bonitas:



2 comentários:
sim, eu não falar portugues muito bom, logo eu gostar das fotos, mas essa nova ortografia é que anda me tirando do sério
já tentou escrever
a pulga está subindo pelo 'pelo' sem acento?
Bom, o que mudou mais mesmo foi a acentuação. E mais algumas palavras compostas, né?
Tidpo CO-REGENTE virou CORREGENTE.
Mas, sinceramente, não sei se tudo nessa mudança ortográfica vai pegar, não!
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