Oi!!!
Essa semana provavelmente eu vou postar pouco, porque vou ter uns trabalhos pra fazer lá na faculdade. Mas até o final da semana vêm mais posts por aí.
O texto de hoje vai só em Português porque ele é dirigido a quem fala essa língua.
Bom, em Fevereiro, eu fiz um post aqui sobre o rotacismo (o fenômeno da troca do L pelo R em algumas palavras), que, pelo que eu pude ver, foi muito bem recebido.
Mas uma coisa que me chamou a atenção em alguns comentários foi um equívoco muito comum que eu até já esperava encontrar: chamar de “erro” aquilo que não se enquadra na forma de falar considerada “bela”, vamos dizer assim.
Vejam só: apesar do rotacismo ser um fenômeno extremamente comum em Português, algumas formas que ele produz são consideradas feias pela maioria das pessoas. Por exemplo, falar “ingrês”e, em vez de ‘inglês’.
Apesar disso, todos nós que falamos Português cometemos rotacismo, pois várias palavras já aceitas pela forma culta de falar do Português e que hoje são escritas com R, originalmente eram escritas com L e, portanto, essas palavras sofreram rotacismo. Por exemplo, a palavra PLAGIA, do Latim, quando passou pro Português virou PRAIA, por causa da tendência do Português ao rotacismo.
Vamos lembrar que achar que uma forma de falar é feia não tem nada demais. É apenas uma opinião pessoal. Mas ‘feio’ não é a mesma coisa que ‘errado’. Por exemplo, eu acho a palavra CAGANEIRA feia, mas não posso dizer que ela tá errada.
Então, achar uma expressão feia é uma coisa; acusar essa mesma expressão de estar errada é outra.
Imagine a seguinte situação: o governador de um Estado tá à frente de uma campanha pra ajudar as prostitutas que quiserem deixar a prostituição.
Aí ele chega em público, sendo fotografado, sendo filmado, e diz:
“O objetivo principal da nossa campanha é ajudar as prostitutas que querem deixar a prostituição.”
Até aí, nada demais. Acho que ninguém se chocaria com isso.
Mas imagine se, na mesmíssima situação, esse governador chegasse lá e falasse:
“O objetivo principal da nossa campanha é ajudar as putas que querem parar de dar por dinheiro.”
No mínimo do mínimo, isso causaria um estranhamento nas pessoas que escutassem essa declaração, né? Entretanto, ele disse na 2ª frase a mesmíssima coisa que disse na 1ª, só que com outras expressões. A palavra PROSTITUTAS não é um sinônimo da palavra PUTAS? E a palavra PROSTITUIÇÃO não é um sinônimo da expressão DAR POR DINHEIRO? Então, ele disse a mesma coisa. E as 2 frases tão certíssimas. Não tem erro nenhum nelas. Mas será que as 2 frases tão adequadas? Evidente que não. Por ele ser um governador, por ele tá falando em público, por ele tá falando sobre um problema social... Enfim, por uma série de motivos, seria inadequado ele falar a 2ª frase.
Isso é ‘inadequação’. É diferente de ‘erro’.
Agora, vamos ver o que é ‘erro’:
Quando alguém fala ou escreve numa língua uma expressão que não é registrada por nenhuma forma de falar ou de escrever dessa língua, aí sim: isso é um erro. Por exemplo, alguém diz a você a seguinte frase:
“Ele falastes comigo amanhã.”
Essa frase não é falada nem escrita por nenhum grupo de pessoas.
A classe alta da sociedade não fala assim, a classe média também não e classe baixa também não. E menos ainda escrevem assim.
Também não há registros falados nem escritos dessa frase no modo formal nem no modo informal de falar.
Tanto os registros eruditos quanto os registros populares da Língua Portuguesa não reconhecem essa frase sendo falada nem escrita.
Levando-se em conta todas essas condições, essa frase tá errada. Isso é um ‘erro’, e não uma ‘inadequação’.
Agora, imagine que uma pessoa chegou numa situação formal e disse:
“Eu prantei um fror.”
Essa pessoa cometeu rotacismo ao dizer isso. Então, sem dúvida que ela falou de uma forma inadequada, que ela não deveria falar daquela forma naquela situação específica e que o que ela falou vai ser considerado feio pela maioria das pessoas. Mas é uma forma que não tá errada.
O rotacismo é usado por vários grupos de pessoas (geralmente das classes mais baixas da sociedade) num modo mais informal e mais popular de falar. E isso tanto na fala quanto na escrita, pois existem vários e vários poemas populares e letras de músicas populares que fazem uso desse fenômeno em seus textos.
Então, ele nem sequer reúne as condições necessárias pra ser considerado um erro. É só uma inadequação mesmo.
E tem vários outros fenômenos da Língua Portuguesa que também são só inadequações e são injustamente chamados de “erros”. E geralmente não por má fé da pessoa que fala isso, mas sim por uma idéia equivocada do que seria um ‘erro’.
Então, fica aí uma coisa pra gente rever e repensar.
Agora lá vai um agradinho pra quem não fala Português:
Essa semana provavelmente eu vou postar pouco, porque vou ter uns trabalhos pra fazer lá na faculdade. Mas até o final da semana vêm mais posts por aí.
O texto de hoje vai só em Português porque ele é dirigido a quem fala essa língua.
Bom, em Fevereiro, eu fiz um post aqui sobre o rotacismo (o fenômeno da troca do L pelo R em algumas palavras), que, pelo que eu pude ver, foi muito bem recebido.
Mas uma coisa que me chamou a atenção em alguns comentários foi um equívoco muito comum que eu até já esperava encontrar: chamar de “erro” aquilo que não se enquadra na forma de falar considerada “bela”, vamos dizer assim.
Vejam só: apesar do rotacismo ser um fenômeno extremamente comum em Português, algumas formas que ele produz são consideradas feias pela maioria das pessoas. Por exemplo, falar “ingrês”e, em vez de ‘inglês’.
Apesar disso, todos nós que falamos Português cometemos rotacismo, pois várias palavras já aceitas pela forma culta de falar do Português e que hoje são escritas com R, originalmente eram escritas com L e, portanto, essas palavras sofreram rotacismo. Por exemplo, a palavra PLAGIA, do Latim, quando passou pro Português virou PRAIA, por causa da tendência do Português ao rotacismo.
Vamos lembrar que achar que uma forma de falar é feia não tem nada demais. É apenas uma opinião pessoal. Mas ‘feio’ não é a mesma coisa que ‘errado’. Por exemplo, eu acho a palavra CAGANEIRA feia, mas não posso dizer que ela tá errada.
Então, achar uma expressão feia é uma coisa; acusar essa mesma expressão de estar errada é outra.
Imagine a seguinte situação: o governador de um Estado tá à frente de uma campanha pra ajudar as prostitutas que quiserem deixar a prostituição.
Aí ele chega em público, sendo fotografado, sendo filmado, e diz:
“O objetivo principal da nossa campanha é ajudar as prostitutas que querem deixar a prostituição.”
Até aí, nada demais. Acho que ninguém se chocaria com isso.
Mas imagine se, na mesmíssima situação, esse governador chegasse lá e falasse:
“O objetivo principal da nossa campanha é ajudar as putas que querem parar de dar por dinheiro.”
No mínimo do mínimo, isso causaria um estranhamento nas pessoas que escutassem essa declaração, né? Entretanto, ele disse na 2ª frase a mesmíssima coisa que disse na 1ª, só que com outras expressões. A palavra PROSTITUTAS não é um sinônimo da palavra PUTAS? E a palavra PROSTITUIÇÃO não é um sinônimo da expressão DAR POR DINHEIRO? Então, ele disse a mesma coisa. E as 2 frases tão certíssimas. Não tem erro nenhum nelas. Mas será que as 2 frases tão adequadas? Evidente que não. Por ele ser um governador, por ele tá falando em público, por ele tá falando sobre um problema social... Enfim, por uma série de motivos, seria inadequado ele falar a 2ª frase.
Isso é ‘inadequação’. É diferente de ‘erro’.
Agora, vamos ver o que é ‘erro’:
Quando alguém fala ou escreve numa língua uma expressão que não é registrada por nenhuma forma de falar ou de escrever dessa língua, aí sim: isso é um erro. Por exemplo, alguém diz a você a seguinte frase:
“Ele falastes comigo amanhã.”
Essa frase não é falada nem escrita por nenhum grupo de pessoas.
A classe alta da sociedade não fala assim, a classe média também não e classe baixa também não. E menos ainda escrevem assim.
Também não há registros falados nem escritos dessa frase no modo formal nem no modo informal de falar.
Tanto os registros eruditos quanto os registros populares da Língua Portuguesa não reconhecem essa frase sendo falada nem escrita.
Levando-se em conta todas essas condições, essa frase tá errada. Isso é um ‘erro’, e não uma ‘inadequação’.
Agora, imagine que uma pessoa chegou numa situação formal e disse:
“Eu prantei um fror.”
Essa pessoa cometeu rotacismo ao dizer isso. Então, sem dúvida que ela falou de uma forma inadequada, que ela não deveria falar daquela forma naquela situação específica e que o que ela falou vai ser considerado feio pela maioria das pessoas. Mas é uma forma que não tá errada.
O rotacismo é usado por vários grupos de pessoas (geralmente das classes mais baixas da sociedade) num modo mais informal e mais popular de falar. E isso tanto na fala quanto na escrita, pois existem vários e vários poemas populares e letras de músicas populares que fazem uso desse fenômeno em seus textos.
Então, ele nem sequer reúne as condições necessárias pra ser considerado um erro. É só uma inadequação mesmo.
E tem vários outros fenômenos da Língua Portuguesa que também são só inadequações e são injustamente chamados de “erros”. E geralmente não por má fé da pessoa que fala isso, mas sim por uma idéia equivocada do que seria um ‘erro’.
Então, fica aí uma coisa pra gente rever e repensar.
Agora lá vai um agradinho pra quem não fala Português:
¡Algunas fotos interesantes para ustedes!
Delle foto interessanti per voi!
Na semana passada eu tava falando por e-mail com o Mister Man sobre a questão de publicar fotos de homem pelado em sites gays, já que os blogs gays que tem SÓ isso e nada mais não costumam durar muito tempo.
Bom, eu, evidentemente, não tenho nada contra os sites gays terem fotos de homens pelados, desde que haja motivo pra isso. E como eu sou visitado aqui por pessoas que procuram, entre outras coisas, esse tipo de foto e também sou visitado aqui por uma série de internautas de outros países que não falam Português, no caso dos posts que são só em Português eu publico essas fotos aqui só pra unir o útil ao agradável. E acho que vocês gostam, né?rs
Até a volta!
2 comentários:
ola. mais uma vez o seu texto está,otimo. li e gostei muito do texto publicado anteriormente por voce sobre esse mesmo assunto. é um assunto diferente dos usados normalmente. é sempre bom aumentar nossa gama de conhecimento!
andei ausente do mundo virtual nos ultimos dias. espero ter voltado pra ficar agora!
abraços
Na verdade, acho importante trazer esse assunto aqui porque é uma oportunidade de lutarmos contra outro tipo de preconceito: o linguístico.
Muita gente é injustamente chamada de ´´burra`` porque usa uma forma de falar considerada feia.
Como eu disse no texto, feia pode até ser (porque feia ou bonita é uma questão de ponto de vista pessoal de cada um) assim como pode ser inadequada. Mas por ser feia e inadequada não quer dizer que teja errada.
Eu também ando devendo algumas visitas aos amigos blogueiros, apesar de procurar manter o blog atualizado.
Bom, abraços!
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