quinta-feira, 20 de março de 2008

ÁGUAS DE MARÇO

E já que hoje é o último dia de Verão, vamos nos despedir dele com um dos maiores clássicos da Música Brasileira: Águas de Março, de Tom Jobim.
Tão aí o link pra gravação da música em 1974, cantada pelo Tom Jobim e pela Elis Regina, e a letra:

http://br.youtube.com/watch?v=jYLoxMtnUDE

É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho
É um caco de vidro
É a vida, é o Sol
É a noite, é a morte
É um laço, é o anzol
É peroba no campo
É o nó da madeira
Caingá candeia
É o matita pereira
É madeira de vento
Tombo da ribanceira
É o mistério profundo
É o queira ou não queira
É o vento ventando
É o fim da ladeira
É a viga, é o vão
Festa da cumeeira
É a chuva chovendo
É conversa ribeira
Das águas de Março
É o fim da canseira
É o pé, é o chão
É a marcha estradeira
Passarinho na mão
Pedra de atiradeira
É uma ave no Céu
É uma ave no chão
É um regato, é uma fonte
É um pedaço de pão
É o fundo do poço
É o fim do caminho
No rosto um desgosto
É um pouco sozinho
É um estepe, é um prego
É uma conta, é um conto
É um pingo pingando
É uma ponta, é um ponto
É um peixe, é um gesto
É uma prata brilhando
É a luz da manhã
É o tijolo chegando
É a lenha, é o dia
É o fim da picada
É a garrafa de cana
O estilhaço na estrada
É o projeto da casa
É o corpo na cama
É o carro enguiçado
É a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte
É um sapo, é uma rã
É um resto de mato
Na luz da manhã
São as águas de Março fechando o Verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau
É João, é José
É um espinho na mão
É um corte no pé
São as águas de Março fechando o Verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte
É um sapo, é uma rã
É um belo horizonte
É uma febre terçã
São as águas de Março fechando o Verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra
Fim, caminho
Resto, toco
Pouco, sozinho


Tom Jobim

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