Oi!!!
O post de hoje vai só em Português, porque tem a ver especificamente com a nossa realidade de aqui e agora, ou seja, é uma coisa sobre a qual quem mora no Brasil hoje deve refletir.
Uma coisa que vocês com certeza já perceberam é que muitas mulheres famosas, principalmente atrizes, cantoras e apresentadoras, usam o título de “rainhas dos gays”.
Eu não tenho absolutamente nada contra, desde que a mulher em questão já tenha realmente feito alguma coisa a nosso favor que justifique que ela seja chamada de “rainha dos gays”.
Bom, você vê frequentemente muitas mulheres que usam esse título indo à parada gay, se deixando fotografar mais de 500 vezes do lado dos travestis ali presentes, dizendo (e apenas ‘dizendo’) que nos apóiam e tal. Mas e além disso? Você vê muitas dessas mulheres tomando grandes atitudes a nosso favor fora da parada gay? Aliás, sejamos francos: a maioria delas nem lembram que nós existimos, a não ser exatamente na hora de se deixar fotografar na parada gay.
E mais: tem até algumas que têm atitudes homofóbicas em outras ocasiões. E mesmo assim são adoradas por vários homossexuais como “rainhas dos gays”!
Então, vamos ver alguns exemplos de falsas rainhas dos gays?
Que tal mencionar a Adriane Galisteu, a Luciana Gimenez e a Penélope Nova?
Bom, em Fevereiro eu postei aqui uma lista de homofóbicos do Brasil. E entre eles eu mencionei a Luciana Gimenez. Aí teve gente nos comentários vindo na defesa dela, dizendo que ela não é homofóbica porque ela tem homossexuais trabalhando com ela.
Tá bom. Então vamos ver na prática como é que ela trata os homossexuais:
Ela leva muitos homossexuais no programeco de 5ª dela simplesmente pra usar esses homossexuais como bobos da corte. Caso os fãs dela que defendem ela tão a ferro e fogo ainda não tenham percebido isso, os homossexuais que vão lá são usados simplesmente pra bater boca com evangélicos homofóbicos que ela convida pra participar do mesmo programa e fazer baixaria: os programas (?!) que ela apresenta se limitam a mostrar evangélicos conservadores provocando os homossexuais, xingando os homossexuais e tal. E são esses os evangélicos de quem ela vive lambendo o rabo: os homofóbicos.
Mas acho também que nenhum homossexual que se preze e que se dê o devido valor deve ir a um programeco daqueles, né? Então, ela é culpada por humilhar os homossexuais que vão lá, mas os homossexuais que vão lá também são culpados por ir lá (e consequentemente por se deixarem humilhar lá).
Quanto à Penélope Nova, ela sempre se refere aos homossexuais com expressões como “viado”, “bichinha louca” e tal. Bom, se ela tem amigos gays que ela trata assim, até aí, problema dela e deles. Mas ela não pode chamar QUALQUER homossexual por esses termos, porque ela não tem esse tipo de intimidade com QUALQUER homossexual sem exceção.
Além disso, eu só vejo ela querendo manter ao mesmo tempo a imagem pública de grande conhecedora de sexo e de mocinha romântica e boazinha. Podem ver que ela começa qualquer entrevista dela com frases do tipo:
“Eu estou chocada com a superficialidade dos relacionamentos!!!”
Ou então, ela mergulha logo de cabeça no vitimismo:
“As pessoas têm uma imagem muito errada de mim, porque eu falo sobre sexo, eu uso tatuagens...”
Bom, se é essa a imagem pública que ela quer vender, nada contra. Mas em quê isso faz dela uma “rainha dos gays”?
Já sei que alguém vai dizer que ela é rainha dos gays porque ela já disse em público que já teve relacionamentos com mulheres. Mas isso não significa muita coisa.
Aquela tal de Marcia Imperator já fez filmes pornô em que ela transa com mulheres, se diz hétero, diz que não tem nada demais uma mulher hétero fazer um filme pornô em que ela transe com mulheres, mas diz que um homem hétero não deve fazer filmes pornô em que ele transe com homens. Então, o simples fato de uma mulher já ter transado com mulheres não faz dela uma “rainha dos gays”. Ela pode transar com mulheres e se colocar contra os gays, como nesse exemplo que eu mencionei agora.
Quanto à Adriane Galisteu, até já sei qual é a justificativa que vão dar: nos programas dela, quando surgia alguma notícia relacionada aos gays, ela sempre falava a nosso favor.
Tá bom. Mas isso só prova, se é que chega a provar alguma coisa, que ela não é homofóbica, e não que ela é uma “rainha dos gays”. Será que pelo simples fato de uma mulher não ser homofóbica ela já merece ser coroada “rainha dos gays”?
E sinceramente, ela se preocupa mais em falar sobre futilidades do que em falar sobre os direitos dos gays, né? Apesar de, de vez em quando, ela ter falado alguma coisa a nosso favor nos programas dela, durante a maior parte do programa ela falava sobre cosméticos femininos, ensinava às mulheres como botar perfume, ensinava às mulheres como botar base de maquiagem, reclamava porque os homens não prestam atenção nos microdetalhes do universo feminino, reclamava porque os homens não querem conversar com as mulheres sobre detalhes do universo feminino, reclamava porque os homens não vêem o Mundo da mesma forma como as mulheres vêem, reclamava porque os homens não se interessam pelos mesmos assuntos que as mulheres se interessam... E ao mesmo tempo, ela ficava dizendo que as mulheres são o máximo, que as mulheres são maravilhosas, que as mulheres são isso, que as mulheres são aquilo, que as mulheres são aquilo outro... Isso quando ela não tava dizendo que a fulana tava linda, que ela tava babando pela beltrana e tal.
Então, acho que o problema dela é simples: ela ainda não entendeu que ela não gosta de homem (dá pra ver isso da forma mais clara possível) e, pelo que a gente pode observar, que ela gosta é de mulher. Mas, mesmo que seja esse o caso, isso não faz dela uma “rainha dos gays”, como a gente já viu no caso da Penélope Nova.
Então, infelizmente, a gente vê muitos gays botando a Adriane Galisteu num pedestal, botando a Luciana Gimenez num pedestal, botando a Penélope Nova num pedestal... Isso é lamentável, né?
Mas em vez dessas que eu mencionei acima E DE OUTRAS, existem aquelas que são chamadas de “rainhas dos gays” com justiça. Por exemplo: a Elke Maravilha e a Vanusa. Elas, na prática, já tomaram atitudes a nosso favor. A Elke e a Vanusa, inclusive, levantaram bandeiras a nosso favor há muitas décadas atrás, quando nem era ‘moda’ ficar do nosso lado.
E em tempos mais recentes, outro bom exemplo é a Ana Fadigas. Ela fundou a G Magazine e manteve a revista por 11 anos.
Então, se vocês querem homenagear alguma “rainha dos gays”, homenageiem a Vanusa, homenageiem a Elke Maravilha, homenageiem a Ana Fadigas e mais outras de quem vocês podem analisar a história pessoal e o que elas fizeram realmente por nós.
Bom, pra não deixar os visitantes do blog não-falantes de Português boiando, lá vão umas imagens bonitas pra eles verem:




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