Oi!!!
Hoje a gente vai dar uma olhada num dos principais nomes da História do Candomblé: o ator, cantor e dançarino brasileiro Joãozinho da Goméia.
Hoje a gente vai dar uma olhada num dos principais nomes da História do Candomblé: o ator, cantor e dançarino brasileiro Joãozinho da Goméia.
Pouca coisa concreta se sabe sobre a infância e adolescência dele.
De acordo com o historiador Rodrigo Rodrigues Fernandes, o João nasceu numa família católica e chegou a ser coroinha.
Com 10 anos (ou com 17, de acordo com outros historiadores), ele fugiu de casa, em Inhambupe, e foi morar em Salvador, onde conseguiu o emprego de ajudante num armazém. E mais tarde chegaria a trabalhar também como costureiro.
O jovem João conheceu uma mulher (o nome dela não é mencionado) que, informalmente, adotou ele como filho. E como ele sempre reclamava de sentir dores na cabeça, ela levou ele a alguns médicos, mas ninguém nunca conseguia encontrar uma cura pras dores dele.
Ao mesmo tempo, ele começou a sonhar com uma divindade masculina que ele dizia ter penas. Assim, a madrinha dele resolveu levar ele ao terreiro do Babalorixá Severiano Manoel de Abreu. E lá, em Dezembro de 1931, o João foi submetido a rituais que fizeram as dores pararem, ao mesmo tempo em que se identificou a divindade que ele via nos sonhos como o Caboclo Pedra Preta.
O João foi iniciado na linhagem Angola e era consagrado a Iansã, a deusa dos fenômenos meteorológicos, e Oxóssi, o deus da caça. E com 18 anos ele já se tornou sacerdote do Candomblé, se tornando conhecido como João da Pedra Preta, por causa do caboclo cultuado por ele.
Depois disso, o João teve contato com a Ialorixá Menininha do Gantois, considerada até hoje a maior sacerdotisa do Candomblé que o Brasil já teve, e passou a seguir também a linhagem Ketu, sem deixar de seguir a linhagem Angola.
Além de seguir 2 ordens do Candomblé ao mesmo tempo (a linhagem Ketu e a linhagem Angola), o que era considerado inadmissível pela maioria dos praticantes, o João não tinha uma postura tradicional em relação a quase nada, tanto na área religiosa quanto na vida social: ele era homossexual assumido e deixava claro que não pretendia ser hétero (no início do século XX isso era um escândalo pros padrões brasileiros); ele alisava os cabelos; ele dançava em público (não era bem visto, na época, que um homem dançasse em público); ele era um babalorixá (sacerdote masculino) jovem e progressista, enquanto as outras autoridades dominantes do Candomblé da Bahia eram as ialorixás (sacerdotisas femininas) mais velhas e conservadoras; ele seguia a linhagem Angola e a linhagem Ketu, enquanto a linhagem dominante na Bahia entre os outros praticantes do Candomblé era a linhagem Jeje-Nagô; e ele oferecia culto a caboclos, que não são divindades originárias do Candomblé, mas sim de religiões indígenas.
Ele também sempre tomou cuidado pra não misturar Candomblé com Catolicismo Romano. E costumava dizer:
“Oxalá é Oxalá e Jesus Cristo é Jesus Cristo”
Devido a esses posicionamentos dele, alguns historiadores tentaram denegrir a imagem dele. Alguns até com argumentos tão superficiais que a gente logo percebe que são só ataques infundados.
Bom, o 1º terreiro do João ficava no bairro Ladeira da Pedra, em Salvador. Mas depois ele fundou outro, na Rua da Goméia, no bairro São Caetano, também em Salvador. E a partir dali foi apelidado de Joãozinho da Goméia, passando a usar esse nome pra sempre.
Em 1946, ele se mudou pra Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro, onde fundou um novo terreiro.
Nesse terreiro do Joãozinho, chegaram a ser vistos vários artistas e políticos, como o ex-Presidente Getúlio Vargas e a cantora Ângela Maria. E isso, consequentemente, fez do Joãozinho um dos nomes mais famosos do Candomblé na época.
Provavelmente por causa disso ele não tem nenhuma passagem registrada pela polícia, ao contrário da maioria dos sacerdotes e sacerdotisas do Candomblé da época (até a Ialorixá Menininha chegou a ser presa 2 vezes, já que “incentivar o Candomblé” era proibido).
O Joãozinho sabia que quanto mais a figura dele se tornasse pública, mais chance teria de se defender de possíveis ataques e mais fácil ficava de divulgar o Candomblé. Assim, ele sempre se deixou fotografar, inclusive dançando e usando os trajes do culto.
Aliás, ele foi considerado um dos maiores dançarinos da época dele. E fez vários shows, chegando até a se apresentar dançando uma vez pra Rainha Elizabeth II, da Inglaterra, numa visita que ela fez ao Brasil.
No Carnaval de 1956, o Joãozinho apareceu em público fantasiado de mulher. Isso provocou a ira de sacerdotes de vários grupos religiosos diferentes (candomblecistas, umbandistas e católicos). Mas ele deixou claro que nenhum deles tinha o direito de se meter na vida dele.
Em 1959, ele teve o 1º trabalho como ator, na co-produção brasilo-mexicana Mujeres de Fuego.
Em 1966, o Joãozinho voltou à Bahia pra fazer uma visita à Ialorixá Menininha. E ambos mantiveram boas relações, apesar de que ela discordasse quase totalmente da forma como ele celebrava os rituais.
No mesmo ano, o Joãozinho teve um derrame cerebral. Mas sobreviveu.
A partir daquela época, ele passou a defender que os seguidores dele escolhessem entre seguir a linhagem Angola ou a linhagem Keto (embora ele continuasse seguindo as 2).
Pouco depois, de acordo com alguns seguidores dele, o Joãozinho começou a ver sinais de que a morte se aproximava. E ele disse que desejava que se cumprisse a vontade do Deus Supremo.
Em 1969, ele lançou o LP Rei do Candomblé, onde ele canta 12 músicas.

No dia 19 de Março de 1971, ele foi fazer uma cirurgia pra retirada de um tumor no cérebro. Mas não resistiu e morreu durante o procedimento, faltando 8 dias pra completar 57 anos.
O Joãozinho foi sepultado no Cemitério de Duque de Caxias. E no momento em que o caixão foi enterrado, uma tempestade devastadora se abateu sobre a cidade, ao mesmo tempo em que várias pessoas que assistiam o enterro entraram em transe, dominadas por uma energia fortíssima.
A maioria dos praticantes do Candomblé acreditam que a tempestade era Iansã, que foi ali pra recolher o espírito do seu devoto e foi sentida por todos.
Os terreiros fundados pelo Joãozinho não sobreviveram à ausência dele e se extinguiram logo depois da morte dele. Mas vários seguidores dele fundaram novos terreiros.
Oggi parleremo un po’ di uno dei grandi nomi della Storia del Candomblé: l’attor, cantante e ballerino brasiliano Joãozinho da Goméia.
Lui è nato nella Bahia, nel 27 Marzo del 1914, come João Alves de Torres Filho.
Non si sa quasi niente della sua infanzia e della sua adolescenza.
Lo storico Rodrigo Rodrigues Fernandes dice che João è nato in una famiglia cattolica ed è stato un ministrante quando era bambino.
Quando aveva 10 anni (o 17, secondo altri), senza averlo detto prima ai suoi genitori, lui ha lasciato la sua casa, alla città di Inhambupe, e è andato alla città di Salvador, dove ha lavorato in un magazzino. E dopo lavorerebbe anche come sarto.
João ha conosciuto una signora più vecchia che si è occupata di lui come si fosse sua madre. E lui sempre diceva a lei che aveva dei dolori nella testa. Così, lei l’ha portato dal dottore, ma nessuno capiva mai cosa lui aveva nella testa.
Lui anche diceva che sognava una divinità con piume. Così, sua “madre” l’ha portato nel terreiro di Severiano Manoel de Abreu, un babalorixá (sacerdote del Candomblé). E nel Dicembre del 1931, ci sono stati dei rituali che l’hanno guarito, allo stesso tempo che hanno scoperto che la divinità che João vedeva era il Caboclo Pedra Preta.
João è diventato un membro dell’Ordine Angola, sugli dei Yansa e Ochosi. E quando aveva 18 anni, è diventato un babalorixá, conosciuto come João da Pedra Preta, dovuto al nome del caboclo che lui adorava.
Dopo questo, lui ha conosciuto Menininha do Gantois, vista anche oggi come la principale ialorixá (sacerdotessa del Candomblé) in Brasile. Ed è diventato un membro dell’Ordine Ketu, ma senza lasciare l’Ordine Angola.
Essere un membro di 2 ordini allo stesso tempo era una cosa detestabile dai membri del Candomblé quasi tutti quanti. E João non era benvisto per questo ed anche per altri motivi: era pubblicamente omosessuale e gli piaceva esserlo; stendeva i suoi capelli; danzava in pubblico (a quell’epoca non era benvisto che un uomo lo facesse); era un babalorixá giovane e progressista in una religione dove le autorità principali erano le ialorixás più vecchie e conservatrici; era un membro degli ordini Ketu e Angola, mentre l’ordine più forte a quell’epoca era l’Ordine Jeje-Nagô; e adorava i caboclos, che non sono divinità del Candomblé, ma sì delle religioni amerindie brasiliane.
João sempre ricordava a tutti che Candomblé non è Cattolicesimo Romano. E diceva:
“Oxalá è Oxalá e Gesù è Gesù”
Molti storici parlavano contro João. Ma si vede che quello che dicono contro lui non ha veramente inportanza.
João’s 1st terreiro stayed at Ladeira da Pedra, a hood of Salvador. But later he founded another one in São Caetano, another hood of Salvador. This one stayed at Goméia Street. So, he was nicknamed Joãozinho da Goméia because of that. And he would get this nickname to the end of his life.
In 1946, he left Bahia and moved to Duque de Caxias, in Rio de Janeiro. And then he founded a new terreiro.
Many famous Brazilian artists and politicians used to visit this new Joãozinho’s terreiro. Among them we can mention ex-President Getúlio Vargas and singer Ângela Maria. And of course it made Joãozinho one of the most famous people of Candomblé at that time.
Possibly because of that he was never arrested at a time when almost all Candomblé priests and priestesses used to be in prison at least for once (even Menininha do Gantois, the main Candomblé priestess of Brazilian History, was arrested twice) because at that time it was forbidden to motivate Candomblé in Brazil.
Joãozinho knew it was good to be a public person, because it would give him the chance to defend himself in the future and at the same time to spread Candomblé. So, he always could be seen in public dancing and wearing Candomblé clothes.
By the way, he was seen as one of the best dancers of his time. He danced in several shows. And once he presented even to Elizabeth II of England when she was visiting Brazil.
In 1956, Joãozinho (who was openly gay) appeared in female clothes at a carnival party. And many priests of different groups (Candomblé, Umbanda, and Roman Catholicism) got furious to him because of that. But he said none of them had the right to say anything against his private life.
He was in his 1st movie in 1959. It was Mujeres de Fuego.
En 1966, Joãozinho se fue a Bahia para visitar la Ialorixá Menininha do Gantois. Y los 2 tenían buenas relaciones, aunque ella no estaba de acuerdo con casi nada de lo que él hacía en los rituales de Candomblé.
En el mismo año, Joãozinho tuvo un derrame en el cerebro. Pero él se recuperó bien.
A contar de aquella época, él empezó a decir a sus seguidores que había la necesidad de escoger entre seguir el orden Angola o el orden Ketu (2 ordines diferentes del Candomblé), aunque él fuera un seguidor de esos 2 ordines al mismo tiempo.
Poco después, sus seguidores dicen que Joãozinho empezó a tener avisos de sus dioses de que su muerte se acercaba. Pero él propio deseaba solamente que se hiciera la voluntad del Gran Dios.
En 1969, él grabó el disco de vinilo Rei do Candomblé, en lo cual canta 12 canciones.
Joãozinho tuvo su segundo y último trabajo como actor en la película Copacabana Mon Amour (1970).
El 19 de Marzo de 1971, él se fue a hacer una cirugía para quitar un tumor en su cerebro. Pero se murió en la cirugía.
Joãozinho fue sepultado en el Cemitério de Duque de Caxias. Y en el momento en que su ataúd fue enterrado, hubo una tempestad realmente muy fuerte sobre la ciudad, al mismo tiempo en que muchas personas que estaban en el cementerio se quedaron en estado hipnótico, dominadas por una energía inexplicable.
La mayor parte de los miembros del Candomblé creen que la tempestad era la diosa Iansá, la señora de Joãozinho, que se fue allá para recoger el espíritu de su devoto.
Los terreiros fundados por él no continuaron a existir por mucho tiempo después de su muerte. Pero muchos de sus seguidores también fundaron nuevos terreiros.
É isso aí. Bom fim de semana e até mais!
4 comentários:
Salut.
J'ai lu, je ne me souviens pas où, que l'umbanda fera 100 ans cette anneé. Est-ce vrai?
Eu li, não lembro aonde, que a umbanda fará 100 anos este ano. É verdade?
Au revoir.
Eu não sei exatamente o ano em que a Umbanda foi fundada. Mas foi no início do século XX.
Tem uns 100 anos mesmo.
Au revoir!
sou feitodentro dos fundamentos da raiz de joãozinho e tenho muito orgulho!!!
É mesmo?! Que legal!
Tem que ter orgulho mesmo!
Oxalá nos abençoe!
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