Oi!!!
Bom, agora que o novo Prefeito do Rio já foi eleito, é o Eduardo Paes, quero dizer aqui que eu anulei o meu voto no 2º turno.
Eu até tava pensando em votar nele, mas achei desnecessário: o que tinha que acontecer de bom já aconteceu no 1º turno, que foi a derrota do senabispo. E sem um senabispo no poder, o que vier daqui pra frente é lucro.
Só tô dizendo isso aqui pra ninguém pensar que eu tô fazendo propaganda do Eduardo Paes, já que defendi a votação nele no 1º turno. Mas eu não defendi a vitória dele e sim a derrota do senabispo.
Também não tenho nada contra o Eduardo Paes. Só tô esclarecendo as coisas, certo?
Bom, hoje a gente vai dar uma olhada num dos principais representantes da arte no Brasil e também da comunidade GLBT brasileira: o ator, diretor e roteirista Sérgio Britto.
Sérgio Pedro Corrêa de Britto nasceu aqui no Rio, em 29 de Junho de 1923.
Ele foi criado com uma religiosidade católica muito repressora, como quase toda criança brasileira da época. E os padres do colégio onde ele estudava queriam até que ele se tornasse padre, tentando embutir na cabeça dele todas as culpas possíveis relacionadas ao sexo.
O Sérgio só começou a ver que as coisas não eram tão castas assim num dia em que, na hora do recreio, entrou na sala de aula e encontrou um padre comendo um garoto de 12 anos.
Por outro lado, em casa, ele ouvia aquele tipo de instrução:
“A esposa, a mãe dos filhos, é sagrada e tem que ser imaculada! Só as putas da rua é que foram feitas pra chupar pau e dar o cu.”
Bom, como eu já disse, essa era a mentalidade católica dominante na sociedade brasileira do início do século XX, né?
Devido a essa repressão sexual, o Sérgio só teve a 1ª relação sexual com 17 anos, com uma garota da mesma idade. E se cobrindo com todas as culpas do Mundo por fazer isso, né? Foi só lá pelos 22 anos que ele conseguiu se libertar dessas repressões sexuais que ensinaram a ele e passou a ter uma vida sexual sem culpa.
Ele diz que pai dele, pros padrões da época, era um homem até bastante liberal. E um dia perguntou a ele se ele era homossexual. O Sérgio respondeu que sim e os 2 nunca mais tocaram nesse assunto um com o outro.
Em 1948, ele se formou em Medicina. Mas nunca exerceu essa profissão. Eram as artes cênicas que realmente chamavam a atenção dele.
O 1º filme dele como ator foi O Comprador de Fazendas (1951). E aí ele passou a usar o nome artístico simplificado de Sérgio Britto.
O 1º trabalho dele como roteirista foi no filme Uma Vida Para Dois (1953), no qual ele também trabalhou como ator.
Na época em que a televisão começou no Brasil, tava na moda uma espécie de especial transmitido ao vivo que tinha o formato de uma peça de teatro. Era o chamado teleteatro. E o Sérgio chegou a participar de mais de 400 desses especiais.
Infelizmente, não há quase nenhum registro gravado disso, pois, como eu já disse, esses programas eram transmitidos ao vivo e, na época, ainda não existia VHS pra gravar isso (quando alguma coisa era gravada, era em película de filme mesmo).
O 1º trabalho do Sérgio como diretor na televisão foi no seriado A Morta Sem Espelho (1963), no qual ele também trabalhou como ator.
Em 1965, ele foi contratado pela Globo. Mas, devido a um desentendimento com o Walter Clark, que era um dos poderosos da Globo na época, o Sérgio foi despedido em 1967. E com exceção disso, ele nunca trabalhou como contratado de emissora nenhuma.
Depois disso, ele passou a se dedicar mais ao teatro do que à televisão.
Depois de alguns anos afastado das novelas, o Sérgio fez uma participação espacial nos primeiros capítulos de Pantanal, na extinta Rede Manchete, em 1990.
Em 1997, ele disse em público pela 1ª vez que era homossexual. E ele diz que nunca tinha falado isso em público antes simplesmente porque nunca tinha surgido o assunto e ele não se via na obrigação de declarar isso em público só por declarar. Mas muita gente que conhecia ele pessoalmente já sabia, até porque ele nunca fez muita questão de esconder os relacionamentos dele a 7 chaves. Apenas não saía gritando aos 4 ventos.
O Sérgio só diz que não gosta de ser chamado de “gay”, pois essa é uma palavra da Língua Inglesa que significa “alegre”, “festeiro”, “saltitante” e tal. E ele diz que não é nada disso. Então ele prefere ser chamado de “homossexual”.
Ele já escreveu e dirigiu várias peças com temática GLBT.
Uma coisa que o Sérgio acha curioso em muitas pessoas públicas quando dão entrevistas é que, apesar de dar pra perceber claramente que aquela pessoa não é hétero, pelas coisas que ela mesma acaba entregando nas entrelinhas da entrevista, ela acaba dizendo na mesma entrevista alguma coisa do tipo “Não tenho nada contra os homossexuais, mas eu não sou”. E ele vê esse tipo de pessoa como um homossexual que tem preconceito contra si mesmo.
Ao mesmo tempo, ele lembra que qualquer pessoa que assuma em público que é homossexual intimida algumas outras pessoas que vêem isso.
Pelo que o Sérgio já viu ao longo da vida, ele calcula que pelo menos 60% dos homens já tiveram algum tipo de experiência sexual com outro homem. Nem que tenha sido 1 vez só e só pra experimentar.
Ele acha que os 3 preconceitos maiores da sociedade brasileira são contra o homossexual, o negro e o índio.
Basta ver que, até o início dos anos 90, os atores negros só faziam papel de empregados e bandidos nas novelas. E os humoristas negros eram até considerados engraçados, desde que se limitassem a falar errado, desde que se apresentassem desdentados e mal vestidos, desde que se deixassem ser xingados de “macacos” e coisas do tipo... Ou seja: era um humor racista, porque a gente vê por essas situações que o que a sociedade considerava engraçado era humilhar o negro. Assim como, na mesma época, a mesma sociedade considerava engraçado humilhar o homossexual.
Mas com o homossexual o Sérgio percebe que ainda acontece o seguinte: a figura do gay não incomoda ninguém num programa de televisão, desde que ele teja ali como uma criatura engraçada que tem a única função de fazer o público rir. Mas quando se trata de um personagem homossexual mais dramático, já não é tão bem aceito. Até porque aí vai denunciar o preconceito dos héteros.
O Sérgio diz que também já teve algumas relações com mulheres, mas sempre meio superficiais.
Uma coisa contra a qual ele costuma se manifestar é contra a corrupção sexual de menores. Seja através de relações homossexuais ou heterossexuais.
No início de Outubro desse ano, o Sérgio foi condecorado pela Ordem do Mérito Cultural.
Ele teve até agora 47 trabalhos como ator no cinema e televisão (isso, evidentemente, sem contar os teleteatros), 11 como diretor e 3 como roteirista.
No teatro, não parece existir um registro exato de quantas peças o Sérgio já fez desde o início da carreira. Mas com certeza foram cerca de 200.
Ele faz questão de lembrar a todos os iniciantes que, na profissão de ator, só uns 10% dos que entram têm alguma possibilidade de fazer carreira.
Today we’ll talk a little about one of the most important names of Brazilian arts and LGBT community: actor, director and scriptwriter Sérgio Britto.
He was born in Rio de Janeiro, on June 19th, in 1923, as Sérgio Pedro Corrêa de Britto.
He was raised under a very strict roman catholic mentality, like almost every Brazilian child of the early 1900s. And the priests of the school where he studied wanted him to be a priest. And they used to teach him about sex as the most terrible kind of sin.
Sérgio understood priests weren’t so chaste people on the day when he arrived at his classroom earlier and found one of the priests having sex to a 12-year-old boy.
At the same time, the men of his catholic family used to say things like that:
“A man’s wife must be a chaste saint! But the street hookers are made to suck cocks and get their assholes fucked.”
Under this catholic lifestyle, Sérgio would be able to have his 1st sexual relation only at 17, with a girl of the same age. But he saw himself as the worst kind of person for having done that. Only at 22 he started having a free sexual life with no guilt.
Anyway, when he compares his father to other men of the same time, he sees him as a liberal man. And once his father asked him if he was homosexual. Sérgio said yes and both never talked about that again.
Sérgio graduated as a doctor in 1948. But he never worked in this job. He really wanted to be an actor.
His 1st movie as an actor was O Comprador de Fazendas (1951). And then he got Sérgio Britto as his showname.
His 1st movie as a scriptwriter was Uma Vida Para Dois (1953). He was in it also as an actor.
When television was starting in Brazil they used to produce a kind of a mixture of a TV show and a theater show. It was called teleteatro. And Sérgio was in more than 400 teleteatros.
Unhappily very few teleteatros were recorded and still exist.
El primer trabajo de Sérgio como director en TV fue en el serial A Morta Sem Espelho (1963), donde él estuvo también como actor.
En 1965, él llegó a la emisora de televisión Rede Globo. Pero tuvo algunos problemas con Walter Clark, uno de los directores principales de la Globo. Y por eso, Sérgio dejó la emisora en 1967. Y antes y después de eso, él nunca tuvo contrato con una emisora de TV.
Cuando dejó la Globo, él pasó a trabajar basicamente como actor de teatro.
Después de años lejos de las telenovelas, Sérgio estuvo en los primeros capítulos de Pantanal (1990), de la Rede Manchete.
En 1997, él dijo por la primera vez en público que es homosexual. Y dijo que no lo había dicho antes solamente porque no hubo nunca la necesidad y la oportunidad de hacerlo. Pero las personas que hacían parte de su vida personal casi todas ya lo sabían.
No gusta a Sérgio solamente que lo llamen “gay”, porque esa es una palabra de la Lengua Inglesa que significa “alegre”, “divertido”, “festivo”... Y él dice que no es eso. Así, él prefiere ser llamado “homosexual”.
Muchos shows teatrales con temas GLBT ya fueron hechos por él.
Sérgio dice que es interesante recordar que muchas personas famosas, cuando hablan en entrevistas, hacen entender en muchas frases que dicen que no son heterosexuales, pero en las mismas entrevistas dicen alguna frase más o menos como “No tengo nada contra los homosexuales, pero no soy homosexual”. Y él dice que eso es un homosexual que tiene prejuicio contra sí mismo.
El recuerda también que siempre que un homosexual dice en público claramente que es homosexual, hay personas que sienten miedo de eso.
Sérgio supone que por lo menos 60% de los hombres ya tuvieron algun tipo de relación sexual con otro hombre. Por lo menos por 1 vez.
Sérgio dice che i 3 tipi di pregiudizio più forti della società brasiliana sono contro gli omosessuali, contro i neri e contro gli amerindi.
È importante ricordare che fino agli anni 90, gli attori brasiliani che sono neri erano visti nelle telenovele soltanto nella parte di banditi e dipendenti. E gli umoristi neri brasiliani erano visti come divertenti, ma soltanto se parlavano di modo sbagliato, se erano visti senza denti nei suoi show, se erano chiamati “scimmia” nei suoi show... O sia: piaceva alla società brasiliana vedere l’umiliazione dei neri. Ed alla stessa società piaceva vedere l’umiliazione degli omosessuali.
Ma con gli omosessuali, Sérgio vede che ancora c’è questo: alla società brasiliana piace vedere un personaggio gay negli show se lui è un personaggio divertente che ha soltanto la funzione di fare ridere il pubblico. Ma quando è un personaggio omosessuale più serio questo fa paura ad una grande parte del pubblico. Anche perché in questo caso si parlerà dell’omofobia degli etero.
Sérgio ha già avuto delle relazioni con donne, ma niente molto serio.
Lui sempre parla contro la corruzione di minorenni.
Nell’inizio di Ottobre, l’Ordem do Mérito Cultural ha fatto un omaggio a Sérgio.
Lui ha avuto fino adesso 47 lavori come attore alla TV (senza contare i suoi più di 400 teleteatri), 11 come direttore e 3 come soggettista.
Nel teatro, Sérgio è già stato in più di 200 show dall’inizio della sua carriera.
Lui sempre dice a chi sta cominciando adesso nella carriera di attore che soltanto 10% andranno avanti in questo tipo di lavoro.
Até mais!