domingo, 18 de abril de 2010

HOMENS GRUDENTOS = APURRINHAÇÃO

Oi!!!

Uma espécie de ‘reclamação’ que eu já ouvi contra mim é que eu sempre reclamo de mulher. Então decidi fazer esse post hoje pra esclarecer algumas coisinhas sobre isso:

1º- Como eu já disse em outros posts em outras ocasiões, eu não sou obrigado a idolatrar as mulheres nem a achar as mulheres o máximo só porque eu sou gay e elas são mulheres. Nem acho que elas tenham o mesmo tipo de obrigação em relação a mim. Podemos ser amigos? Podemos nos dar bem um com o outro? Óbvio que sim. Mas isso não quer dizer que tem que haver um endeusamento recíproco (e nem mesmo um endeusamento unilateral, que seja) só porque um é gay e o outro é mulher. Assim sendo, se uma mulher faz uma merda, eu não tenho a obrigação de fechar os olhos pra essa merda, fingir que tá tudo bem e dar razão à mulher só porque eu sou gay e ela é mulher. Nem espero o mesmo da parte dela se eu fizer alguma merda.

2º- Em relação à minha vida pessoal ou a erros que eu vejo as pessoas cometendo e que me atingem de alguma forma, eu não reclamo de mulher: eu reclamo de pessoas que me incomodam e me atrapalham. Se um homem me apurrinha, eu acho que me cabe o direito de não gostar e de me manifestar; se uma mulher me apurrinha, como eu já disse acima, não sou obrigado a fingir que tá tudo bem só porque ela é mulher e eu sou gay, o que também me dá o direito de não gostar e de me manifestar. Mas tem certos tipos de apurrinhação que, provavelmente por motivos culturais, a gente recebe bem mais de mulheres do que de homens. A superproteção e a infantilização, por exemplo. Olhem a diferença de quantidade de mulheres superprotetoras e infantilizadoras pra quantidade de homens superprotetores e infantilizadores. Mas, isso não quer dizer que não existem homens superprotetores e infantilizadores. E é exatamente sobre isso que eu vou falar aqui hoje.

Bom, na maioria das situações que eu já andei observando por aí, os avôs são o tipo de homem mais superprotetor e mais infantilizador.
Vamos ver alguns exemplos do que eu digo:
Eu já vi avô preocupadíssimo porque o neto de 14 anos (sim, catorze!) tava sozinho em casa, “porque é perigoso criança ficar sozinha em casa”. E ligando pra ele e falando frases idiotas do tipo:

“Não mexe em fogo, não, tá, filhinho?”

Eu também já vi avô falando com o neto adolescente que nem débil mental. Por exemplo:

“Quando vochê era pequenininho, vovô levava vochê na páia pá vochê bincá...”

Eu também já vi avô que, quando viu o neto ADULTO abrindo a geladeira pra botar alguma coisa lá dentro e fechando logo depois (não demorou nem 5 segundos), chegou pra alguém que tava do lado e ficou:

“Olha lá, fulana! Olha lá a geladeira aberta!”

Como quem diz:

“O garotinho está brincando de abrir a porta da geladeira e gastando luz!”

Claro que também pode não ser o avô. Mas quase sempre é um homem mais velho da família que tem esse tipo de comportamento: tem pai que é assim, tem irmão mais velho que é assim, tem tio que é assim, tem primo mais velho que é assim...
Naquelas reuniões grandes de família, em que se juntam realmente todas as criaturas da família, das mais agradáveis às mais desagradáveis (aquelas reuniões que, das duas uma: ou você adora estar ali; ou você sente verdadeiro nojo de estar ali), a gente eventualmente vê aquele homem mais velho do que o outro parente que ele tá infantilizando, quando se senta com essa outra pessoa à mesa na hora de almoçar, ficar assim em tempo integral:

“Olha aqui! Come isso! Come aquilo! Olha aqui! Tem isso, tem aquilo, tem aquilo outro...”

Ele fala isso com o tom de voz mais débil mental do Mundo! E a cada minuto ele fica pegando as comidas que tão servidas na mesa e botando na frente da outra pessoa, colocando a comida no prato da outra pessoa sem ela pedir, colocando a bebida no copo da outra pessoa sem ela pedir...
Ou então, enquanto ela tá comendo, ele fica assim o tempo todo pra alguém que teja por perto:

“Vai lá e pergunta o que ele quer! Ele pode tá precisando de alguma coisa! Vê se ele quer alguma coisa!”

Aí, quando a pessoa vai botar sal na comida ou açúcar no refresco que ela tá bebendo, ele fica (também com o tom de voz mais retardado do Mundo):

“Chega, filhinho! Chega, filhinho!”

A princípio, você pode até achar isso “bonitinho” ou “engraçadinho”. Mas vá se colocar no lugar da outra pessoa que tá aturando isso 60 minutos por hora!
Agora me digam: vocês acham que eu vou dar razão a esse tipo de homem ou apoiar esse tipo de homem? Óbvio que não! Me dá até um certo nojo quando eu encontro uma criatura dessas por aí. Nem chego mais perto do cara quando identifico que ele é assim ou se ele começa a se comportar dessa forma comigo.
Agora, falando por mim, pelas experiências que eu tive na minha vida pessoal, eu diria que se comportar da forma como eu descrevi acima é um defeito mormente de mulher mesmo. De todas as pessoas que alguma vez já tentaram me superproteger e me infantilizar, quase todas sempre foram mulheres. Homens, com exceção de uns 2 ou 3 retardados que eu já encontrei pelo caminho, nunca me trataram assim.
Mas tem gente que gosta de ser tratada assim, né?
Eu já vi até gays, inclusive, dizendo que se sentem “aconchegados” e “compreendidos” (SIC) quando são superprotegidos por uma mulher.
Bom, os que gostam de ser tratados assim por uma mulher, que façam bom proveito. Os que gostam de ser tratados assim por um homem, a mesma coisa. Mas EU não quero nenhum dos 2 pra mim, com certeza!
Então, espero que tenha ficado claro que eu não tenho nenhum problema específico com mulher. Só não gosto e não aturo certos comportamentos chatos, desagradáveis, incômodos, apurrinhantes, que tanto homens quanto mulheres têm. Só que não se pode negar o óbvio: alguns desses comportamentos são mais comuns em mulheres do que em homens. Mas ninguém aqui tá inocentando os homens que têm esse tipo de comportamento.

I don’t put up with nasty men and I don’t put up with nasty women either.

Yo no soporto hombres fatidiosos y tampoco soporto mujeres fatidiosas.

Io non sopporto uomini noiosi ed anche non sopporto donne noiose.

Até mais!

2 comentários:

Anônimo disse...

Uma pergunta, Leo: na sua idade, que é um pouco menos que a minha, ainda ficam perguntando quando é que você vai arrumar mulher, casar, ter filhos e tudo mais? Ou já sabem de você e desistiram de cobrar?

Abração.

Leo Carioca disse...

Eu tenho 34 anos.
Bom, como nunca fui visto em público com mulher nenhuma e nunca fingi que era hétero, acho que a ficha de uma grande parte das pessoas já caiu, né? E até por isso, esse tipo de cobrança já é raro. É difícil alguém me perguntar coisas assim. A não ser aquelas pessoas bem alienadas mesmo.rs
Abração!